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'Guilhotina' do BBA corta Nubank e só Bradesco escapa com recomendação positiva

A mudança faz parte de uma atualização das projeções do Itaú BBA para o setor bancário brasileiro em 2026 e 2027

Bradesco: único banco com recomendação positiva na carteira do BBA (Imagem gerada por IA/Exame)

Bradesco: único banco com recomendação positiva na carteira do BBA (Imagem gerada por IA/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 10h37.

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O Itaú BBA reduziu sua preferência por bancos brasileiros e deixou apenas o Bradesco com recomendação positiva entre as grandes instituições do setor. O movimento ocorreu após o banco de investimentos rebaixar o Nubank de Outperform (desempenho acima da média) para Market Perform (desempenho em linha com o mercado).

A mudança faz parte de uma atualização das projeções do BBA para o setor bancário brasileiro em 2026 e 2027. Segundo o relatório, o Nubank continua sendo considerado um vencedor no longo prazo, mas o cenário para os próximos anos ficou menos claro diante de desafios macroeconômicos e operacionais.

Com a revisão, o Bradesco passou a ser o único banco de grande porte (large-cap) coberto pelo Itaú BBA com recomendação Outperform, equivalente a uma indicação de desempenho superior ao mercado. O relatório destaca que o banco negocia atualmente a múltiplos considerados atrativos pelos analistas, com cerca de 1,1 vez o valor patrimonial projetado para 2026 (P/B) e 7 vezes o lucro estimado para 2026 (P/E).

Segundo o Itaú BBA, o Bradesco apresenta sinais de melhora na execução operacional e passou por uma redução da exposição a carteiras de crédito mais cíclicas. Os analistas destacam avanços tanto no segmento de varejo — incluindo clientes de média e alta renda — quanto no corporate banking.

Outro ponto citado é a área de seguros, que representa mais de 40% do lucro da instituição e deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos, impulsionada pela expansão da BradSaúde, segundo a análise.

O relatório também aponta que a margem financeira do banco segue resiliente, enquanto o custo de risco permaneceu em 3,5%, mesmo considerando efeitos de carências relacionadas ao FGO/FGI e a consolidação de carteiras como agro e John Deere.

Para os analistas, o Bradesco tem potencial de passar por um processo de reavaliação positiva caso consiga entregar os resultados esperados e reduza o ceticismo atual do mercado.

Apesar da visão positiva, o Itaú BBA reduziu levemente sua projeção de lucro líquido do Bradesco para 2026. A estimativa caiu entre 2% e 3% e passou a considerar um lucro de R$ 28,488 bilhões no ano, em razão de premissas de menor crescimento da carteira de crédito e maior custo de risco. Para 2027, a projeção permaneceu em R$ 32,524 bilhões, acima do consenso de mercado.

O preço justo estimado pelo BBA para a ação do Bradesco é de R$ 20,00 ao fim de 2027, já considerando o aumento de capital de R$ 10 bilhões.

Apesar da preferência pelo Bradesco dentro do setor bancário, o Itaú BBA afirma manter uma visão mais favorável para empresas ligadas ao mercado de capitais. Os analistas destacam preferência estratégica por ativos como BTG Pactual, XP e B3 em relação a bancos focados principalmente em operações tradicionais de varejo.

Nubank perde espaço após crescimento mais forte

O rebaixamento do Nubank ocorreu após o Itaú BBA reduzir a recomendação da ação de Outperform para Market Perform. O preço justo estimado para o papel ao fim de 2027 caiu de US$ 20 para US$ 18, enquanto a projeção de lucro para 2027 foi reduzida em 8%.

Os analistas afirmam que o banco digital continua apresentando uma trajetória positiva no longo prazo e deve manter resultados sólidos no curto prazo. O ponto de atenção está no ritmo de crescimento para os próximos anos. A expectativa do BBA é que o crescimento do lucro desacelere de 32% em 2026 para 14% ao ano em 2027, considerando moeda constante.

O relatório aponta dois grupos principais de fatores que levaram à revisão do Nubank. No cenário macroeconômico, os analistas esperam um ambiente mais difícil para o consumidor brasileiro, com possível redução de estímulos fiscais e sociais, além de pressões inflacionárias associadas aos preços do petróleo e de commodities agrícolas. O BBA também cita a possibilidade de medidas regulatórias e macroprudenciais pelo Banco Central voltadas a produtos de crédito de alto custo.

Do ponto de vista operacional, o banco enfrenta uma base de comparação mais elevada em algumas linhas de crédito no Brasil, enquanto continua aumentando investimentos nos Estados Unidos. A operação mexicana, segundo os analistas, ainda não tem escala suficiente para compensar uma eventual desaceleração do mercado brasileiro.

Além disso, o valuation da companhia é apontado como um fator de atenção. O Nubank negociava a cerca de 17 vezes o lucro estimado para 2026 e 4,4 vezes o valor patrimonial, deixando menos espaço para eventuais surpresas negativas.

Acompanhe tudo sobre:ItaúBradescoNubank

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