Focus: projeção para o IPCA de 2026 cai pela sexta semana seguida. (Eduardo Frazão/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 11h21.
O Ibovespa reverteu a alta da abertura do pregão desta segunda-feira, 10, e virou para o campo negativo. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 ampliava as perdas ao cair 0,43%, aos 171.857 pontos. O mercado acompanha a alta do petróleo em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto o Boletim Focus reduz pela sexta semana seguida a projeção para a inflação de 2026. Em meio a esse ambiente de cautela, o dólar comercial avança 0,25%, cotado a R$ 5,096.
Entre os destaques de alta, a Embraer (EMBJ3) lidera os ganhos, com valorização de 6,64%. Magazine Luiza (MGLU3) sobe 1,36%, enquanto PetroReconcavo (RECV3) avança 2,64% e Prio (PRIO3) ganha 3,36%. Iguatemi (IGTI11) registra alta de 0,82%, e Vale (VALE3) opera com valorização mais discreta, de 0,08%.
Entre as ações da Petrobras, PETR3 sobe 1,82% e PETR4 avança 1,79%. Na ponta negativa, Vibra (VBBR3) recua 2,07%, Copasa (CSMG3) tem baixa de 2,21%. Assaí (ASAI3) cede 1,33%, enquanto MBRF (MBRF3) cai 1,37%.
No radar do mercado doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 10, trouxe a sexta redução semanal consecutiva na projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. A estimativa passou de 5,03% para 5,02%.
Para os anos seguintes, as projeções permaneceram estáveis, de 4,22% para 2027, 3,80% para 2028 e 3,50% para 2029. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) também recuou, de 1,99% para 1,98% em 2026. Para 2027, a projeção caiu de 1,57% para 1,52%.
Para a taxa básica de juros, os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a expectativa para a Taxa Selic em 13,75% ao fim de 2026. As projeções para os anos seguintes também ficaram inalteradas, em 12% para 2027, 10,50% para 2028 e 10% para 2029.
O coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, também apontou que o IPCA, com divulgação prevista para terça-feira, 11, deve ganhar atenção. Além disso, destacou que os dados do mercado de trabalho americano (payroll), divulgados na semana passada, vieram abaixo do esperado.
Para o especialista, o movimento esfriou a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) nas próximas reuniões. Na zona do euro, o sentimento econômico ganhou força em agosto. O indicador da Sentix avançou 4 pontos em relação a julho, para 0,9, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira.
No cenário internacional, a inflação ao consumidor da China perdeu ritmo em julho. O Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,5% na comparação anual, abaixo da alta de 1% registrada em junho e também da expectativa do mercado.
Os preços do petróleo subiam hoje, enquanto investidores avaliavam sinais contraditórios sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz. O West Texas Intermediate (WTI) avançava 1,41%, a US$ 79,28 por barril, enquanto o Brent subia 1,50%, a US$ 84,80.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não mantém atualmente negociações diretas com os EUA para encerrar a guerra e reabrir o Estreito, mesmo com Washington sinalizando que um acordo estaria próximo. O país também exige compensação americana como condição para reabrir a rota.
Já o chefe do conselho supremo de segurança nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA cumpram seis condições, entre elas o fim da guerra contra o país e seus aliados.
Washington, por sua vez, sustenta que qualquer reabertura deve preservar a liberdade de navegação sem aprovações, taxas ou controles iranianos.
Os principais índices de Wall Street abriram a semana sem direção definida, em meio a dúvidas crescentes sobre se EUA e Irã chegarão a uma resolução duradoura para o conflito no curto prazo. O S&P 500 operava próximo da estabilidade, com ligeira alta de 0,11%, assim como Nasdaq, que recuava 0,04%. O Dow Jones caía quase 100 pontos, uma queda de 0,18%.
A ação da Intel se destacava entre as maiores baixas do pregão, recuando 3% após a companhia anunciar uma oferta de US$ 15 bilhões em ações ordinárias.
Já os três principais índices americanos vêm de sua melhor semana desde abril. O impulso ocorreu após o payroll de julho mostrar contração inesperada na criação de vagas, o que elevou a expectativa de que o Fed evite novas altas de juros.
Os mercados europeus operavam majoritariamente estáveis, ao passo que investidores ponderavam as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio. Ações de tecnologia e mineradoras lideravam os ganhos, enquanto papéis do setor automotivo e de mídia ficavam atrás do desempenho geral do índice.
O Stoxx 600 avançava 0,03%, aos 660,44 pontos. O DAX, de Frankfurt, subia 0,12%, a 26.351,65 pontos, e o FTSE MIB, de Milão, ganhava 0,08%, a 53.759,56 pontos. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, recuava 0,44%, a 10.853,60 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedia 0,01%, a 8.713,86 pontos.
A maioria dos mercados asiáticos encerrou o pregão em terreno positivo. O Nikkei 225, do Japão, avançou 2,1%, a 66.970 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1%.
Na Coreia do Sul, o Kospi ganhou 0,65%, e o índice de pequenas empresas Kosdaq disparou 7%. Na direção oposta, o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,3%, fechando aos 9.232,60 pontos.