Economia

BC corta a Selic pela 4ª vez seguida e taxa de juros no Brasil cai para 14%

A decisão manteve o ritmo do ciclo de corte e era amplamente esperada pelo mercado financeiro

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília. (Marcelo Casal/Agência Brasil)

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília. (Marcelo Casal/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 18h35.

Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 18h42.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira, 5, a taxa Selic para 14% ao ano, em uma nova queda de 0,25 ponto percentual. 

Essa foi a quarta redução da taxa de juros brasileira neste ano. A Selic chegou a 15% em junho de 2025 e permaneceu no maior patamar em mais de 20 anos até março de 2026.

A decisão manteve o ritmo do ciclo de corte e era amplamente esperada pelo mercado financeiro.

No comunicado, o colegiado afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.

"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", escreveram. 

Os membros do colegiado afirmaram que, com o aumento da incerteza e desancoragem das expectativas, o cenário base demanda "serenidade e cautela" na condução da política monetária. O Comitê evitou dar indicativo sobre os próximos passos.

"O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmaram.

A avaliação de economistas ouvidos pela EXAME é que o cenário ficou mais favorável desde a última reunião do Copom, quando dados de inflação vieram abaixo das expectativas do mercado, inclusive em componentes relevantes como serviços, bens industriais e alimentos.

 

Copom cita desaceleração da inflação e atividade moderada para justificar corte

O Copom justificou a redução da Selic com base em um cenário de desaceleração gradual da inflação e da atividade econômica. Segundo o comitê, os indicadores mais recentes mostram que a inflação cheia perdeu força, enquanto as medidas subjacentes recuaram para níveis ligeiramente abaixo do teto da meta. Ao mesmo tempo, a economia dá sinais de moderação, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido.

Apesar do corte, o Banco Central ressaltou que o cenário continua cercado por incertezas. Entre elas estão os conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel, a condução da política monetária em economias avançadas, como os Estados Unidos, e o impacto da política fiscal doméstica sobre as expectativas de inflação. O Copom também destacou que as projeções do mercado para 2026 e 2027 seguem acima da meta, o que exige cautela na condução dos próximos movimentos.

Por isso, a autoridade monetária afirmou que a continuidade e a intensidade do ciclo de redução dos juros dependerão da evolução dos dados econômicos e da convergência da inflação para a meta.

O que é a taxa Selic?

A taxa Selic é a taxa básica de juros no Brasil, ou seja, aquela que vai nortear os demais juros, tanto para quem recebe, quanto para quem paga. Ela é importante para quem realiza algum empréstimo ou financiamento em alguma instituição financeira e também para quem investe.

Banco Central possui um sistema conhecido como Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, em que acontecem as compras e vendas de títulos públicos, e se utiliza a taxa Selic para nortear qualquer operação.

É justamente o nome desse sistema que faz a taxa básica de juros no Brasil ser conhecida como Selic. Quando nos referimos à negociação de títulos públicos no sistema do BC, tratam-se de operações de empréstimo de curto prazo feitas entre instituições, que, por sua vez, têm como garantia esses títulos.

Qual foi a decisão do BC da Selic hoje?

O Banco Central reduziu a taxa de juros de 14,25% para 14% ao ano.

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