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Ibovespa opera estável com 'blue chips' no zero a zero

Apesar da notícia da paralisação das atividades da Vale (VALE3) em Ouro Preto, o papel sobe mais de 1%

Ibovespa: Vale (VALE3) sobe mais de 1% (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: Vale (VALE3) sobe mais de 1% (Germano Lüders/Exame)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 10h42.

O Ibovespa abre a sessão desta segunda-feira, 9, estável em 0,10% a 183.196 pontos. O dólar cai 0,25% a R$ 5,207 às 10h40.

Na semana passada, o principal índice de referência da B3 subiu 0,9% na semana, impulsionado, principalmente, por balanços sólidos como o do Itaú (ITUB4) — compensando uma postura mais conservadora em relação a outros nomes do setor financeiro.

“O que vimos na sexta foi um mercado mais seletivo, penalizando empresas que frustraram expectativas e premiando setores onde o valuation já embute bastante risco. Esse comportamento tende a continuar”, diz João Kepler, CEO da Equity Group

Pedro Ros, CEO da Referência Capital, complementa: “Não é um mercado de euforia, mas de construção, onde oportunidades aparecem para quem consegue separar ruído de fundamento”.

Segundo ele, o mercado mostrou na sexta-feira que existe apetite, mas ele é criterioso. Empresas grandes, com peso no índice, continuam sendo avaliadas com lupa, enquanto ativos ligados à economia real ganham atenção quando entregam previsibilidade.

Apesar da ligeira alta, o Ibovespa deve operar em compasso de espera, com o investidor testando a sustentabilidade do fluxo estrangeiro que entrou forte nos últimos dias. “Para quem olha o mercado como um todo, não é um rali generalizado, é uma rotação”, afirma Kepler.

Em dia de agenda mais esvaziada, investidores acompanham a palestra do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em evento da ABBC.

Destaques

Entre as principais ações, Vale (VALE3) sobe 1,12%, enquanto Petrobras (PETR4) avança 0,27%. Bradesco (BBDC4) cai 0,58% e Itaú (ITUB4) ganha 0,21% às 10h40.

A mineradora é impactada pela notícia de que suas operações em Ouro Preto foram interrompidas pela Justiça de Minas Gerais, após o transbordamento de uma barragem no município.

A decisão, tomada na última sexta-feira, 6, atende a uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em conjunto com o governo do estado.

No mesmo despacho, o Judiciário ordenou a implementação de planos de contenção e mitigação dos danos ambientais na área afetada. O descumprimento das determinações pode resultar em multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 10 milhões.

De acordo com apurações técnicas, o desastre ambiental foi provocado por falhas no sistema de drenagem e pelo uso inadequado da cava como reservatório hídrico e de rejeitos, o que levou ao vazamento de cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos.

O episódio ocorreu em 25 de janeiro, no Complexo Minerário de Fábrica, e teria atingido os córregos Água Santa e Rio Maranhão, além de invadir propriedades vizinhas. As investigações apontam ainda que a empresa responsável pela administração do complexo teria comunicado o Núcleo de Emergência Ambiental apenas cerca de dez horas após o rompimento.

O MPMG e o governo de Minas Gerais estimam em R$ 282,2 milhões os danos materiais causados pelo extravasamento do grande volume de água e resíduos para áreas próximas.

A queda dos contratos futuros do minério de ferro negociados na Bolsa de Dalian também puxam a Vale para baixo.

A commodity recuou pela sexta sessão seguida nesta segunda-feira, pressionada pelo aumento dos estoques na China, em um cenário de demanda enfraquecida, e pela normalização das operações portuárias na Austrália, após o fim do alerta de ciclone em uma das principais regiões exportadoras da commodity.

O contrato mais líquido, com vencimento em maio, encerrou o dia em queda de 0,46%, cotado a 761,5 iuanes (US$ 109,89) por tonelada na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE).

Boletim Focus

O mercado também repercute o Boletim Focus de hoje. Analistas de mercado consultados pelo Banco Central (BC) diminuíram as projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026.

Para ente ano, a expectativa de inflação foi reduzida de 3,99% para 3,97%. Em 2027, 2028 e 2029 a projeção se manteve em 3,80%, 3,50% e 3,50%.

A expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 e 2027 ficou estável em 1,80%. Já a estimativa de 2028 e 2029 permaneceu em 2%.

Para 2026, os analistas mantiveram a expectativa da Selic em 12,25%. Em 2027, a projeção ficou em 10,50%. A estimativa permaneceu em 10% em 2028, enquanto para 2029 se manteve em 9,50%

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa do dólar para 2026 e 2027 em R$ 5,50. Para 2028, diminuiu de R$ 5,52 para R$ 5,50. Em 2029, a projeção também foi mantida em R$ 5,57.

Balanços

O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) reportou lucro líquido de R$ 4,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado. A cifra é 40% maior do que a registrada no mesmo período, em 2024. No acumulado de 2025, o lucro do banco chegou a R$ 16,7 bilhões, com crescimento de 35%.

As linhas finais do balanço foram impulsionadas por receitas recordes no ano em praticamente todas as linhas de negócio. As receitas totais cresceram 32% em 2025 na comparação com o ano anterior, para R$ 33 bilhões. No quarto trimestre, a cifra foi de R$ 9,09 bilhões.

Hoje também tem resultados de BB Seguridade (BBSE3), Motiva (MOTV3), São Martinho (MOTV3), e Banco Pine (PINE4).

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