Brasil

Ato contra governo federal e STF reuniu mais de 20 mil pessoas na Avenida Paulista, aponta USP

Mobilização nacional aconteceu em 33 cidades e 21 capitais e foi convocada pelo deputado Nikolas Ferreira, com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro

Palco da maior mobilização, Avenida Paulista reuniu manifestantes que seguravam cartazes como "Bolsonaro Livre" e bandeiras americanas (AFP)

Palco da maior mobilização, Avenida Paulista reuniu manifestantes que seguravam cartazes como "Bolsonaro Livre" e bandeiras americanas (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 1 de março de 2026 às 18h59.

Última atualização em 1 de março de 2026 às 19h05.

Os atos da direita realizados em todo Brasil neste domingo, 1, voltaram a ter como principal bandeira a defesa da anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro e a crítica direta ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Lula.

Intitulada "Acorda Brasil", a mobilização nacional foi convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), e ocorreu de forma simultânea em pelo menos 33 cidades, incluindo 21 capitais, em um dia marcado pela escalada das tensões internacionais após o agravamento do conflito entre EUA e Irã.

Na Avenida Paulista, principal palco da movimentação, [grifar]o ato reuniu 20,4 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político, coordenado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.

A análise realizada a partir de cinco fotos aéreas tiradas em horários diferentes e com uso de um software de inteligência artificial aponta que este é o segundo menor público já registrado em atos bolsonaristas no local desde o início da série histórica.

O número representa menos da metade do público registrado no último grande ato realizado na Paulista, no 7 de Setembro do ano passado, quando 42,2 mil pessoas participaram do evento.

Mesmo considerando a margem de erro de 12%, o público deste domingo oscilou entre 18 mil e 22,9 mil participantes, no pico registrado às 15h53. O processo da USP possui precisão de 72,9% e uma acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo.

Além de São Paulo, atos ocorreram em mais de 20 cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, o evento realizado na Praia de Copacabana reuniu 4,7 mil pessoas, segundo a mesma pesquisa da USP e se consolidou o menor público já registrado na capital carioca. Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza também registraram manifestantes. 

Entre os participantes do ato na Paulista estavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Já Nikolas Ferreira participou em Belo Horizonte e São Paulo.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não esteve presente por cumprir agenda oficial na Alemanha.

Público em queda

Desde abril de 2025, quando um ato reuniu 44,9 mil pessoas, o movimento tem registrado quedas sucessivas, com exceção de datas simbólicas, como o Dia da Independência.

Entre os atos já contabilizados pelo Monitor do Debate Político, apenas o evento de junho de 2025 — convocado pelo pastor Silas Malafaia — teve público inferior, com 12,4 mil participantes, mesmo com a presença de Jair Bolsonaro, à época ainda não submetido às medidas cautelares que antecederam sua prisão.

Especialistas avaliam que a combinação entre judicialização da política, desgaste das pautas repetidas e fragmentação da direita tem dificultado a manutenção de grandes mobilizações de rua.

Flávio Bolsonaro estreia como presidenciável

O ato marcou a primeira grande aparição pública de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Paulista desde sua confirmação como pré-candidato à Presidência, com o aval do pai.

Último a discursar do alto do caminhão de som instalado nas proximidades do Masp, Flávio Bolsonaro participou de seu primeiro ato de grande porte desde que foi apontado pelo pai como pré-candidato à Presidência.

O senador usava um colete à prova de balas, assim como Jair Bolsonaro fazia em eventos do tipo, e fez críticas ao STF de maneira genérica, sem nomear ministros, mantendo o tom moderado adotado nas últimas semanas.

“Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado”, afirmou Flávio, em discurso que reforçou a estratégia bolsonarista de transformar o Judiciário em um dos principais alvos políticos da campanha de 2026.

Dos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou do ato por videoconferência, em uma breve mensagem na qual defendeu a eleição do irmão como caminho para “conseguir justiça”.

Nos bastidores, a presença dos nomes antecipa a disputa de liderança do campo conservador, em um cenário ainda indefinido sobre o futuro político de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

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