Ibovespa nesta segunda, 19: Pelo lado positivo do pregão, ações cíclicas e utilities reagiram bem ao fechamento da curva de juros (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 18h38.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 18h42.
O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira, 19, estável, após oscilar ao longo do dia entre leves perdas e ganhos. O principal índice da B3 fechou com alta marginal de 0,03%, aos 164.849 pontos, em um pregão marcado por baixa liquidez, diante do feriado nos Estados Unidos, e por maior cautela no exterior.
O volume financeiro somava R$12,6 bilhões ante uma média diária de quase R$31 bilhões no mês até agora puxada principalmente pelo pregão da última quarta-feira, 14, com vencimento de opções sobre o Ibovespa.
A pressão negativa veio principalmente das ações ligadas ao setor de mineração e siderurgia. A Vale (VALE3) caiu 0,39%, acompanhada por Usiminas (USIM5), que recuou 0,93%, CSN Mineração (CMIN3), com baixa de 0,18%, e CSN (CSNA3), que liderou as perdas entre as grandes, ao cair 3,15%.
O movimento acompanha o recuo dos preços do minério de ferro no exterior, impactados pelo aumento das preocupações com a oferta global da commodity.
Os contratos mais negociados para maio na Bolsa de Dalian, na China, fecharam em baixa de 2,88%, cotados a 794 yuans (US$ 113,94) por tonelada, em meio à expectativa de que o projeto Simandou, na Guiné, aumente a oferta global nos próximos meses. O efeito se estende a outras siderúrgicas, como Usiminas (USIM5), com queda de 0,78%, e CSN Mineração (CMIN3), que cai 0,90%.
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista do grupo Axia Investing, esse carregamento expressivo do minério vindo da Guiné, combinado com expectativa de enfraquecimento do mercado imobiliário chinês, explicam a queda da Vale. "Isso ajuda a derrubar o preço do minério de ferro no mercado global e puxa nossas mineradoras e siderúrgicas para baixo", afirma.
O cenário externo também contribuiu para a cautela no mercado local. "Hoje é um dia de feriado nos Estados Unidos, sem liquidez, o que reduz o apetite ao risco. Toda a situação envolvendo os EUA e a Europa enfraquecida prejudica os investidores. A bolsa está numa lateralidade complicada, sem alta nem queda clara", complementa Sant’Anna.
Ramon Coser, da Valor Investimentos, reforça que a volatilidade global aumenta com as tensões comerciais entre EUA e União Europeia, especialmente após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, podendo subir para 25% em junho caso não haja acordo sobre a Groenlândia.
Além disso, a expectativa sobre a política monetária americana e possíveis mudanças no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também mantém os investidores cautelosos.
Entre as maiores baixas do dia, destaque para a Natura (NATU3), que caiu 3,41%, em um movimento de correção após a valorização registrada na semana passada.
"O papel caiu forte em movimento de correção após subir quase 4% na semana passada", diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
"Natura é um papel bem problemático, que já vem com bastante problema há muito tempo, me atrevo a dizer, há anos. Esse é um papel que ainda não encontrou um investidor firme, que vá comprar para longo prazo, tem muita gente especulando ainda", acrescenta o especialista do grupo Axia Investing.
Por outro lado, segundo Perri, o mercado repercutiu de forma positiva a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao UOL, especialmente pelo apoio institucional ao Banco Central na condução da política monetária e no processo de intervenção e liquidação do Banco Master.
Pelo lado positivo do pregão, ações cíclicas e utilities reagiram bem ao fechamento da curva de juros. A Hapvida (HAPV3) liderou os ganhos do dia, com alta de 3,85%. Também avançaram IRB (IRBR3), com ganho de 3,59%, Cury (CURY3), que subiu 2,94%, recuperando parte das perdas da sexta-feira, e Direcional (DIRR3), que avançou 2,67%, revertendo o desempenho negativo das últimas sessões.