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Ações na europa caem após ameaça de Trump sobre tarifas ligadas à Groenlândia

Trump afirmou que, a partir de 1º de fevereiro, pretende aplicar tarifas de 10% sobre produtos de países europeus que se oponham a anexação

Trump afirmou que oito países europeus enfrentarão tarifas crescentes de importação caso se oponham à sua proposta de anexação da Groenlândia (Jim Watson/AFP)

Trump afirmou que oito países europeus enfrentarão tarifas crescentes de importação caso se oponham à sua proposta de anexação da Groenlândia (Jim Watson/AFP)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h06.

As bolsas da Europa operam em queda nesta segunda-feira, 19, com os investidores reagindo a uma nova ameaça o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em publicação feita no fim de semana, Trump afirmou que oito países europeus enfrentarão tarifas crescentes de importação caso se oponham à sua proposta de anexação da Groenlândia — território autônomo da Dinamarca.

“As tarifas começarão em 10% em 1º de fevereiro e subirão para 25% em 1º de junho, a menos que um acordo total para a compra da Groenlândia seja alcançado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

O índice Stoxx 600, que reúne as maiores companhias da região, recuava 1,10% por volta das 11h00 (horário de Brasília), com todos os setores no vermelho. Entre os mais atingidos, estavam montadoras e empresas de bens de luxo.

Segundo a publicação de Trump, as tarifas visam mercadorias exportadas por oito países membros da Otan: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia.

Líderes europeus reagiram rapidamente, classificando a proposta como “inaceitável” e manifestando apoio à Dinamarca. O governo dinamarquês ainda não se pronunciou formalmente sobre a nova ameaça.

Não é a primeira vez que Trump manifesta interesse na Groenlândia. Em 2019, durante seu mandato, o então presidente já havia sugerido comprar o território, alegando interesses estratégicos e militares.

Impacto nos setores

Montadoras europeias lideraram. Entre as empresas mais afetadas, BMW caía 3,22%, Volkswagen tinha queda de 2,66% e Porsche perdia 3,1%.

O setor de luxo também foi duramente atingido. As ações da Kering recuaram 3,1%, enquanto Hermès caía 2,56% e Moncler, 2,49%.

Na direção oposta, o setor de defesa apresentou alta, beneficiado pelo cenário de tensões geopolíticas. A alemã Renk subia 1,20%, a francesa Thales avançava 1,95% e a Rheinmetall, maior empresa de defesa da Europa, tem alta de 2,4%.

Davos no radar

Além da tensão comercial, os mercados europeus acompanham o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Trump deve discursar na quarta-feira, em meio ao aumento das expectativas sobre sua possível candidatura à presidência dos EUA em 2028.

Na agenda econômica, os destaques da semana incluem dados de inflação da zona do euro. Não há grandes balanços corporativos previstos para os próximos dias.

A quem pertence a Groenlândia

Colônia da Dinamarca até 1953, a Groenlândia obteve autonomia 26 anos depois e discute, internamente, a possibilidade de reduzir seus vínculos com Copenhague. Ainda assim, a maioria da população e dos partidos políticos locais rejeita a ideia de integração aos Estados Unidos e defende que o futuro do território seja decidido pelos próprios habitantes.

Trump voltou a usar um tom irônico ao falar da defesa local. “A Groenlândia deveria fazer um acordo, porque a Groenlândia não quer ver a Rússia ou a China assumirem o controle”, afirmou, antes de zombar da capacidade militar do território.

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