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Ibovespa cai após notícia que põe Flávio Bolsonaro como candidato

Índice batia recordes pelo quarto dia seguido, aproximando-se do patamar inédito dos 165 mil pontos, mas virou para queda forte após notícia de portal

Após se aproximar dos 165 mil pontos, o índice de referência no mercado acionário brasileiro passou a cair fortemente (Germano Lüders/Exame)

Após se aproximar dos 165 mil pontos, o índice de referência no mercado acionário brasileiro passou a cair fortemente (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 5 de dezembro de 2025 às 13h32.

Última atualização em 5 de dezembro de 2025 às 16h11.

O Ibovespa sofreu uma virada brusca no início da tarde desta sexta-feira, 5. Após se aproximar dos 165 mil pontos, o índice de referência no mercado acionário brasileiro passou a cair fortemente e agora opera abaixo dos 158 mil. Às 16h07 (horário de Brasília) o Ibovespa recuava 4,02% aos 157.844 pontos.

A virada coincidiu com a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria chegado a um nome para apoiar na eleição presidencial de 2026: seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A informação, inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles, foi confirmada pelo próprio Flávio em suas redes sociais.

"Um filho de Bolsonaro pode chegar ao segundo turno, mas não seria competitivo para vencer", diz um estrategista, sobre a percepção de gestores com quem tem falado. "Acabaria atrapalhando a candidatura de um dos governadores, que é o desejo do mercado".

Após a notícia, o dólar também ganhou força e, às 16h06, a moeda americana subia 2,85%, a R$ 5,462.

"Depois dessa fala do Bolsonaro, de que Flávio é o candidato dele, entende-se que [o governador de São Paulo] Tarcísio de Freitas não receberá mais o apoio. E, sob a ótica do mercado, Tarcísio é o candidato mais forte para bater de frente com o [presidente] Lula nessa eleição", afirma Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.

"É um nome que dividirá a direita, não será uníssono, com chance muito baixa de ser eleger presidente. [A queda da Bolsa e a alta do dólar] é o mercado precificando nesse momento a chance de aumentar de forma muito abrupta a reeleição de Lula", acrescenta o operador.

Entorno de Bolsonaro trabalha nome de Flávio para 2026

A EXAME também já havia apurado que o nome de Flávio era uma das três possíveis candidaturas para a direita em 2026.

Desde a prisão do ex-presidente, no mês passado, as pessoas mais próximas de Bolsonaro, passaram a trabalhar com a ideia de que era importante indicar um sobrenome da família para manter o protagonismo e evitar um esvaziamento político, segundo fontes ouvidas sob reserva.

Nesse cenário, o mais cotado era o senador. O próprio Flávio se reuniu com a bancada do PL e o presidente do partido, Valdermar da Costa Neto, para articular as movimentações da sigla. O senador, inclusive, passou a ser incluído em últimas pesquisas eleitorais.

Na Paraná Pesquisas, divulgada em novembro, Flávio aparece com 19,7% das intenções de voto no primeiro turno. Nas contas de aliados, esse percentual poderia levá-lo ao segundo turno contra o presidente Lula. Em cenário de segundo turno, o primogênito de Bolsonaro apareceu com 38,6% contra 45,4% do petista.

O estudo mais recente do instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, divulgado na terça-feira, 2, também trouxe o nome de Flávio.

Num cenário sem Tarcísio e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, o senador teria 23,1%, acima de nomes como os governadores Ronaldo Caiado (União) e Ratinho Júnior (PSD), um dos cotados pela direita para a eleição. Flávio aparece distante, contudo, de Lula, que tem 47,3% das intenções de voto.

Partidos do centrão, como PP e União Brasil, intensificaram o movimento para lançar Tarcísio à Presidência em 2026, apostando em seu perfil moderado e maior alcance eleitoral. No entanto, dentro do próprio governo paulista há quem defenda que ele permaneça em São Paulo, onde teria reeleição encaminhada.

O governador de São Paulo também diz que só entraria na disputa presidencial com aval de Bolsonaro.

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