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IBM cai mais de 7% após balanço e levanta dúvidas sobre IA

A divisão de software, considerada central na estratégia da companhia, cresceu cerca de 11%, atingindo US$ 7,05 bilhões. Ainda assim, esse desempenho não foi suficiente para afastar preocupações

IBM: crescimento mais lento e avanço da IA colocam pressão. (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

IBM: crescimento mais lento e avanço da IA colocam pressão. (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 09h45.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 09h46.

As ações da IBM, multinacional de tecnologia e consultoria, caíam cerca de 7,69% no pré-mercado, chegando a US$ 232,49, depois de encerrarem o último pregão com queda de 1,49%, cotados a US$ 251,86.

A reação negativa veio na esteira da divulgação do balanço trimestral, que mostrou crescimento de receita, mas também sinais de desaceleração que acenderam alertas entre investidores.

A companhia reportou receita de US$ 15,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 9% na comparação anual e levemente acima das projeções de analistas. Os especialistas esperavam US$ 15,62 bilhões a US$ 15,7 bilhões.

Já o lucro ajustado ficou em US$ 1,91 por ação, acima das estimativas de US$ 1,81 por papel e uma alta de 19% em relação a igual período do ano anterior.

Desaceleração no crescimento

A receita avançou 9% no trimestre, abaixo dos 12,2% registrados no período anterior, o que foi interpretado como sinal de desaceleração, ainda que os números absolutos tenham superado as expectativas.

A divisão de software, considerada central na estratégia da empresa, cresceu cerca de 11%, atingindo US$ 7,05 bilhões. Ainda assim, esse desempenho não foi suficiente para afastar preocupações, segundo a Bloomberg.

O analista da Jefferies, Brent Thill, afirmou em entrevista à agência que o mercado esperava números mais robustos na área, especialmente diante das dúvidas sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios.

Pressão da IA no radar

O avanço de ferramentas de IA generativa tem sido um dos principais fatores de risco percebidos pelos investidores. Há receio de que novas soluções consigam substituir ou reduzir a demanda por softwares tradicionais.

Esse temor ganhou força após o lançamento, em fevereiro, de uma ferramenta da Anthropic capaz de modernizar sistema utilizados em computadores de grande porte (mainframes) da companhia, informou a Reuters.

Infraestrutura sustenta

A divisão de infraestrutura, que inclui os mainframes ainda assim, apresentou crescimento de cerca de 15%, com receita de US$ 3,33 bilhões, superando estimativas de mercado.

Já a unidade de consultoria teve alta de 4%, somando US$ 5,27 bilhões, no que foi o melhor desempenho desde 2023, embora ainda em ritmo moderado. Mas os números não foram positivos o suficiente.

IBM mantém guidance

A IBM manteve sua projeção de crescimento de receita acima de 5% para o ano, desconsiderando efeitos cambiais.

O CFO da companhia, James Kavanaugh, afirmou que iniciativas ligadas à inteligência artificial generativa devem contribuir para o crescimento, inclusive impulsionando o uso de mainframes.

"A IA de última geração na modernização de mainframes é, na verdade, um acelerador e um fator de crescimento para o portfólio de mainframes como um todo."James Kavanaugh, CFO da IBM

Parte dos analistas entende que o ritmo mais lento reforça incertezas estruturais, enquanto outra parte avalia que os resultados não confirmam os temores mais pessimistas.

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