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Hora de viajar? Como aproveitar o dólar em baixa para suas férias

Especialistas ouvidos pela EXAME afirmam que a melhor estratégia é comprar aos poucos até a data da viagem

O dólar chegou ao seu menor nível em mais de um ano ao encostar nos R$ 5,30 nesta semana. (Montagem EXAME com elemento do Canva/Reprodução)

O dólar chegou ao seu menor nível em mais de um ano ao encostar nos R$ 5,30 nesta semana. (Montagem EXAME com elemento do Canva/Reprodução)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 16 de setembro de 2025 às 12h33.

Última atualização em 16 de setembro de 2025 às 15h20.

O dólar chegou ao seu menor nível em mais de um ano ao encostar nos R$ 5,30 nesta semana. Enquanto 0 Goldman Sachs prevê que a moeda americana continue caindo quando o Federal Reserve começar a cortar juros por lá — o que pode acontecer já nesta quarta-feira, 17 —, um estudo recente do UBS mostra que o dólar até poderia chegar a R$ 4,30, não fossem ruídos internos. Já a última projeção do boletim Focus, do Banco Central, apontava para o dólar em R$ 5,50 ao final deste ano e R$ 5,60 em 2026.

Como comprar dólar para a sua viagem

Se você tem o hábito de viajar, já deve ter escutado que comprar dólar com frequência é uma boa ideia para se proteger de oscilações da moeda — ainda mais considerando que é difícil prever para onde vai o câmbio.

Andres Montano, que presta consultoria financeira pessoal há quase 10 anos, explica a tese por trás disso: “Como não dá para adivinhar para onde o dólar vai, comprando com recorrência você consegue mitigar o risco da variação do valor”.

Para quem tem uma viagem marcada, vale ir comprando a moeda gradualmente, uma vez ao mês, para chegar a uma boa média de preço ao longo desse tempo, já que é quase impossível saber onde estará o dólar daqui a uma semana, por exemplo.

Vamos supor que você tem viagem planejada para daqui a um ano. Teria doze meses para comprar dólares aos poucos — é um bom tempo para se planejar. Logo, não faria sentido comprar tudo de uma vez agora. Na semana que vem o dólar pode estar ainda mais barato e você teria dinheiro para aproveitar a nova baixa.

Da mesma forma, é arriscado não comprar nada, contando que o dólar vai continuar caindo. A cotação pode engatar uma tendência de alta e você terá deixado de aproveitar uma oportunidade.

O câmbio é considerado uma das variáveis mais imprevisíveis do mercado e comprar aos poucos, dentro daquele tempo até a viagem acontecer, é uma forma de se proteger dessas oscilações.

“Se a ideia é mesmo viajar, tendo marcada a data ou não, faz muito sentido comprar dólar na baixa para fazer um preço médio ao longo do tempo. Desde que esse montante não atrapalhe no orçamento mensal”, afirma o Raphael Carneiro, outro planejador financeiro com quem a EXAME foi tirar a dúvida.

No final de agosto, quando a moeda americana chegava próxima aos R$ 5,40, Bruno Nascimento, gerente de relacionamento da B&T XP, já enfatizava a importância da diversificação de datas de compra.

“Embora haja espaço para alguma valorização do real, assumir quedas adicionais significativas do dólar parece um movimento arriscado. Para quem pretende viajar, a recomendação é diversificar as datas de compra da moeda, realizando um preço médio, e não esperar por quedas expressivas”, afirma.

E se você não tem viagem marcada?

E se você não tem viagem marcada? Bom, com o dólar caindo, pode bater a tentação de planejar uma. Mas é importante ver como esse gasto que não estava previsto até então vai caber no seu orçamento - e se vai mesmo caber.

"Embora o câmbio pareça favorável, tornando-se um incentivo real, a decisão não deve ser movida apenas pela empolgação do momento", alerta Paula Sauer, economista e planejadora financeira.

"A sensação de 'oportunidade única' desperta impulsividade e reduz a racionalidade. O cérebro entra no modo de recompensa imediata: você quer aproveitar antes que o câmbio volte a subir, e mais, não quer ficar para trás, ser o único da sua tribo que não viajou", complementa.

"Nesse processo, muitos acabam ignorando o impacto no orçamento e recorrem ao cartão de crédito ou a parcelamentos longos, que podem transformar o sonho em uma imensa dor de cabeça ao retornar da viagem ao se contrair dívidas para consumo e não para a construção de patrimônio."

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