Hermès: bolsas de alto luxo Birkin impulsionam alta nas vendas. (Corbis/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 07h13.
A Hermès, marca francesa de luxo conhecida por suas bolsas exclusivas, encerrou 2025 com receita de 16 bilhões de euros, batendo recordes e registrando crescimento de 8,9% a taxas de câmbio constantes e de 5,5% a câmbio corrente. O desempenho foi impulsionado pela forte demanda por seus produtos de couro, em especial pelas Birkin — bolsas de luxo artesanais com longas listas de espera.
As vendas da Hermès superaram, ainda, as expectativas do mercado, segundo a Bloomberg. A receita do período avançou 9,8% a câmbio constante, acima da previsão média de analistas, que estimavam alta de 8,24%. No acumulado do trimestre, as vendas somaram 4,1 bilhões de euros.
Já o lucro operacional recorrente atingiu 6,6 bilhões de euros no último ano, alta de 7% sobre 2024, com margem Ebit recorrente de 41% das vendas, acima dos 40,5% registrados no exercício anterior, apesar do impacto negativo de 515 milhões de euros decorrente das variações cambiais.
O lucro líquido atribuível ao grupo foi de 4,5 bilhões de euros, e, desconsiderando a contribuição excepcional sobre os lucros de grandes empresas na França, o lucro líquido ajustado alcançou 4,86 bilhões de euros, consolidando um avanço de 5,5%, no mesmo ritmo da receita.
As ações da Hermès chegaram a subir até 3,4% nas primeiras negociações em Paris após a divulgação dos resultados, consolidando uma reação positiva do mercado. Antes da publicação do balanço, os papéis acumulavam um desempenho estável no ano, de acordo com fontes ouvidas pela agência.
A divisão de Couro e Selaria, que inclui bolsas como Birkin e Kelly, permaneceu como principal motor do grupo. O segmento cresceu 13% a câmbio constante em 2025, alcançando € 7,1 bilhões em receita. No quarto trimestre, a alta foi de 14,6% a taxas constantes, para 1,8 bilhão de euros.
O desempenho reflete um forte desejo pelas coleções e o aumento da capacidade produtiva, de acordo com a companhia, que inaugurou em setembro sua 24ª oficina de artigos de couro na França e mantém planos de novas unidades até 2028, reforçando seu modelo de produção integrado.
Além disso, todas as regiões avançaram em vendas no ano: Japão teve alta de 14% a câmbio constante; as Américas, 12%; Europa (ex-França), 11%; França, 9%; e Ásia-Pacífico (ex-Japão), 5%. No quarto trimestre, Europa, Japão, Américas e Oriente Médio apresentaram expansão de dois dígitos a taxas constantes.
Para analistas da Jefferies, os resultados confirmam uma "impressionante ressonância com consumidores globais de luxo", com a Hermès tem enfrentado melhor desafios do setor em comparação a concorrentes, apoiada em um modelo que privilegia exclusividade e controle de oferta.
CEO da marca, Axel Dumas afirmou que "o modelo Hermès, baseado em uma rede exclusiva e qualitativa, assim como em forte integração vertical, provou mais uma vez seu sucesso", com uma estratégia que permitiu "crescimento robusto da receita e forte desempenho" mesmo em um ambiente incerto.
Dumas disse ainda que a empresa elevou preços entre 5% e 6% em média em 2026, em conversa com jornalistas divulgada pela agência.
Enquanto isso, a geração de caixa permaneceu sólida, em meio a um fluxo de caixa das atividades operacionais de € 5,4 bilhões. O fluxo de caixa livre ajustado somou € 3,9 bilhões, e a posição líquida de caixa ajustada alcançou € 12,8 bilhões ao fim de dezembro.
A companhia também destacou a criação de mais de 1,3 mil empregos em 2025, sendo 800 na França, elevando o quadro total para 26.494 funcionários. A administração deve propor dividendos de 18 euros por ação na assembleia de abril.
Apesar das incertezas econômicas e geopolíticas, a Hermès reiterou sua meta de crescimento da receita a taxas constantes no médio prazo. "Em um ambiente ainda incerto, a Hermès avança em 2026 com confiança, apoiada por sua criatividade e excepcional savoir-faire", segundo Dumas.