O que move os mercados: dia é marcado por indicadores de inflação, dados do setor externo e pelo impacto do feriado nos Estados Unidos, além de um pano de fundo geopolítico e comercial que adiciona volatilidade aos ativos globais (ANGELA WEISS/Getty Images)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam a semana nesta segunda-feira, 19 de janeiro, com uma agenda econômica mais esvaziada no Brasil, mas sob a influência de fatores externos que podem aumentar a cautela dos investidores.
O dia é marcado por indicadores de inflação, dados do setor externo e pelo impacto do feriado nos Estados Unidos, além de um pano de fundo geopolítico e comercial que adiciona volatilidade aos ativos globais.
No Brasil, a semana começa com poucos indicadores, mas com números considerados relevantes para calibrar expectativas. Logo às 5h, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulga o IPC-Fipe semanal, que mede a inflação na cidade de São Paulo.
O dado é acompanhado de perto porque pode ajudar a ajustar as estimativas para os reajustes escolares no IPCA, atualmente projetados em 6,2%, segundo o Bradesco.
O acompanhamento da inflação ocorre após o IPC-Fipe ter acelerado para 0,39% na primeira quadrissemana de janeiro, acima dos 0,32% registrados no fim de dezembro de 2025, indicando uma pressão maior sobre os preços no início do ano.
Mais tarde, às 8h25, o Banco Central publica o Boletim Focus, com as expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos. No relatório mais recente, os analistas reduziram a projeção do IPCA de 2026 para 4,05%, mantendo as estimativas para 2027 em 3,80% e para 2028 e 2029 em 3,50%.
As expectativas para o crescimento do PIB permaneceram estáveis, com avanço de 1,80% em 2026 e 2027 e de 2,00% em 2028 e 2029. Para a taxa Selic, o mercado manteve a previsão de 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027, enquanto a estimativa para 2028 subiu para 9,88%, com 2029 estável em 9,50%.
No câmbio, a expectativa para o dólar foi elevada para R$ 5,50 em 2026 e 2027, chegando a R$ 5,57 em 2029. Ainda na agenda doméstica, às 15h, será divulgada a balança comercial de janeiro.
O dado vem após o Brasil ter encerrado 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões, resultado menor que o de 2024, pressionado pelo crescimento das importações e pela queda nos preços das commodities, apesar de ter sido o melhor resultado para um mês de dezembro desde 1989 e o terceiro maior saldo anual da série histórica.
No exterior, o dia tende a ter dinâmica diferente. Os Estados Unidos estão em feriado nacional pelo Dia de Martin Luther King Jr., com as bolsas de Nova York fechadas. Com isso, investidores esperam menor volume de negociações na B3, além de movimentos pontuais e volatilidade atípica, exigindo atenção redobrada de quem opera no mercado de ações.
Na zona do euro, o principal indicador do dia será a divulgação, às 7h, do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de dezembro, dado que pode influenciar as expectativas para a política monetária do Banco Central Europeu.
O cenário político internacional também entra no radar dos mercados. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar as tensões comerciais ao prometer impor tarifas adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.
Esse percentual pode subir para 25% em 1º de junho, caso não haja acordo relacionado às negociações envolvendo a Groenlândia. Os países afetados divulgaram uma declaração conjunta de apoio ao território, neste domingo, 19, enquanto líderes europeus já sinalizaram a possibilidade de retaliação.
Esse movimento ocorre justamente na semana de abertura do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta segunda-feira (19), em Davos, na Suíça.
Em sua 56ª edição, o encontro terá como tema central “o espírito de diálogo”, em um contexto de fortes tensões geopolíticas e econômicas. Trump retorna ao evento após preparar sua participação com novos anúncios de tarifas, sacudindo as relações com a União Europeia e a Otan. Protestos estão previstos durante o fórum.