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Com Groenlândia, ordem mundial e futuro da Otan estão em jogo, diz Dinamarca

EUA ameaça tarifar quem se opor ao plano de Washington de anexar território dinamarquês

Militares da Alemanha deixam aeroporto de Nuuk, na capital da Groenlândia; Trump quer comprar território que pertence à Dinamarca

 (Alessandro Rampazzo / AFP)

Militares da Alemanha deixam aeroporto de Nuuk, na capital da Groenlândia; Trump quer comprar território que pertence à Dinamarca (Alessandro Rampazzo / AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 14h58.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, classificou neste domingo como “paradoxal” e “problemático” o fato de os Estados Unidos terem ameaçado impor tarifas a vários países europeus por enviarem tropas à Groenlândia, apesar de Washington ter criticado anteriormente a falta de segurança no Ártico.

“É perturbador que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faça essas declarações no momento em que uma série de aliados europeus assumiram a tarefa que ele dizia estar sendo negligenciada. Isso é o que torna a situação problemática e paradoxal”, afirmou Rasmussen em coletiva de imprensa em Oslo, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide.

Rasmussen agradeceu o apoio “inequívoco” de toda a Europa à Dinamarca diante das ameaças de Trump ao território autônomo da Groenlândia — que os EUA reivindicam por motivos de segurança nacional — e destacou que o país é parte da União Europeia, responsável por uma resposta coordenada.

A Dinamarca aposta no diálogo iniciado dias atrás em Washington, onde Rasmussen e sua colega groenlandesa se reuniram com o vice‑presidente americano, JD Vance, mas o chanceler afirmou ser necessário explorar “outras vias”.

Ordem mundial em jogo

Rasmussen classificou a situação como “grave”, afirmando que estão em jogo “a ordem mundial que conhecemos e o futuro da Otan”. Ele também pediu que o compromisso com a Ucrânia seja mantido, tema discutido no encontro com Eide. “É importante que mantenhamos o foco em quem são nossos inimigos”, disse, mencionando o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Eide considerou “inaceitáveis” entre aliados as ameaças de Trump — que também atingem a Noruega — e reiterou apoio a Copenhague. “A Noruega está com o Reino da Dinamarca nas boas e nas más horas e apoia a soberania da Dinamarca e da Groenlândia”, afirmou.

A primeira‑ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, conversou neste domingo por telefone com seus colegas da Alemanha, Friedrich Merz; da França, Emmanuel Macron; e do Reino Unido, Keir Starmer, segundo publicou no Facebook. O vice‑primeiro‑ministro da Groenlândia, Múte B. Egede, escreveu na mesma rede que as ações de Trump representam “um ataque à Groenlândia, às leis internacionais e à cooperação que sustenta toda a aliança ocidental”.

Os oito países europeus e membros da Otan que enviaram tropas à Groenlândia declararam neste domingo “plena solidariedade” à Dinamarca diante dos planos de anexação e afirmaram que a operação militar “não representa desafio para ninguém”, após as ameaças de tarifas de Trump.

“Como membros da Otan, estamos comprometidos com o fortalecimento da segurança no Ártico como interesse transatlântico compartilhado. O exercício dinamarquês ‘Arctic Endurance’, previamente coordenado e realizado com aliados, responde a essa necessidade. Não constitui ameaça para ninguém”, afirmaram em comunicado conjunto Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido.

Reunião extraordinária

Os embaixadores da União Europeia realizam uma reunião extraordinária enquanto o bloco prepara os próximos passos de sua resposta às tarifas anunciadas por Washington.

No sábado, Trump afirmou que, a partir de 1º de fevereiro, vai impor uma tarifa de 10% a todos os produtos dos oito países europeus que enviaram tropas à Groenlândia. O presidente disse ainda que as tarifas subirão para 25% em junho e permanecerão em vigor até que seja firmado um acordo “para a compra total e plena da Groenlândia” pelos Estados Unidos.

Com informações da EFE

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