Oxxo: fim da joint-venture entre Femsa e Raízen (Oxxo/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 14h55.
O grupo mexicano Femsa anunciou nesta segunda-feira, 2, que assumiu o controle integral da rede de minimercados Oxxo no Brasil, concluindo a separação da joint venture que mantinha com a Raízen no negócio de lojas de conveniência. A transação havia sido anunciada em setembro do ano passado.
"Como resultado desta transação, a Femsa manteve as lojas Oxxo no Brasil, bem como o centro de distribuição localizado em Cajamar, São Paulo", informou a companhia em comunicado ao mercado.
Segundo o grupo, os demais ativos e passivos do Grupo Nós — empresa criada para operar a joint venture — foram alocados entre Femsa e Raízen de acordo com as respectivas atividades.
Criado em 2019, o Grupo Nós reunia a Femsa e a Raízen para a operação das lojas de conveniência no mercado brasileiro. Com o fim do acordo, a Femsa passou a deter a totalidade das operações da marca Oxxo no país, incluindo os 611 mercados de proximidade e o centro de distribuição em Cajamar, considerado estratégico para o abastecimento e a expansão da rede.
Já a Raízen ficou com a totalidade das lojas Shell Select e Shell Café, alinhando o negócio de conveniência à sua rede de postos de combustíveis. Na ocasião do anúncio da separação, a companhia informou que receberia 1.256 lojas associadas às marcas Shell Select e Shell Café.
A Femsa, maior engarrafadora da Coca-Cola no mundo, entrou no segmento de conveniência no Brasil em 2019, quando adquiriu por R$ 561 milhões metade da divisão de conveniência da Raízen, responsável pelas lojas Select. A parceria viabilizou a entrada da marca Oxxo no mercado brasileiro e acelerou sua expansão nos últimos anos.
A saída da Raízen do negócio de minimercados está alinhada à estratégia da companhia de simplificação de portfólio e redução da alavancagem. Endividada, a produtora de açúcar e etanol controlada por Cosan e Shell vem se desfazendo de ativos e mantendo em aberto a possibilidade de um aumento de capital.
Em comunicado divulgado à época do anúncio, a Raízen informou que, como parte do acordo, o Grupo Nós continuaria prestando serviços de suprimentos e logística para as lojas Shell Select e Shell Café dentro da área de cobertura do centro de distribuição. A Femsa, por sua vez, assumiu o caixa e as dívidas remanescentes da joint venture.
Em publicação no LinkedIn, o Grupo Nós classificou a mudança como "fruto de uma reorganização estratégica, amigável e de comum acordo entre os acionistas". Segundo a empresa, a joint venture "nasceu com grandes ambições, entregou resultados relevantes e contribuiu significativamente para o desenvolvimento de ambos os negócios no Brasil".
Na época, a missão do Femsa de operar o Oxxo no Brasil dividiu especialistas do varejo, consultados pela EXAME, quanto ao futuro da rede de minimercados no país.
A distribuidora de combustíveis controlada por Cosan e Shell teve seus motivos para abandonar a parceria. Endividada, a Raízen está se desfazendo de ativos para reduzir a alavancagem e simplificar o portfólio, enquanto deixa em aberto a possibilidade de um aumento de capital. "Os negócios não tinham tanta sinergia", disse Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail.
O Oxxo trabalha com logística fracionada, quando um mesmo método de transporte leva remessas para diferentes unidades. Daí vem a necessidade de ter uma loja em cada esquina, para que haja um "corredor" de entregas.
E por ter unidades localizadas somente em centros urbanos do Estado de São Paulo, a empresa está exposta aos aluguéis mais caros do país.
Serrentino lembra que os planos do Oxxo no Brasil são de longo prazo e que a rede continua com um plano de abertura de lojas ainda bastante agressivo.
Porém, ele acredita que a Femsa tem condições de continuar expandindo o negócio, mesmo com a saída da Raízen. "Eles têm uma retaguarda forte para sustentar os investimentos".
Já Mauricio Grandeza, consultor de varejo que já foi diretor de operações no Carrefour Brasil e head de market place no Mercado Livre, acredita que o Oxxo sofre um baque ao sair do guarda-chuva que também abrigava as mais de 1.200 lojas de conveniência da Shell.
Enquanto parte do Grupo Nós, o Oxxo fazia parte de um negócio de atuação nacional. Sozinho, é uma rede que atua somente em São Paulo, sobretudo na capital, e parece enfrentar dificuldades de expansão fora desse território, avalia Grandeza.
"A estratégia, até hoje, parece não ter sido suficiente para atrair um bom volume de clientes. Além de abrir muitas lojas, talvez o Oxxo tenha que trazer para cá o serviço financeiro, que é o que leva as pessoas às unidades no México", diz.
"No Brasil, esse é o segredo. O Mercado Livre se diferencia de outros market places, por exemplo, pelo banco [Mercado Pago], que tem milhões de usuários. Isso fideliza, cria um ecossistema".