Dólar: moeda americana recua no dia do payroll adiado após paralisação parcial do governo dos EUA (Adrienne Bresnahan/Getty Images)
Repórter
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 06h39.
Última atualização em 11 de fevereiro de 2026 às 10h26.
O dólar perdeu força na manhã desta quarta-feira, 11, em meio a expectativas pela divulgação do payroll dos Estados Unidos de janeiro, adiado na última semana por conta do shutdown parcial do governo norte-americano.
Em meio à cautela dos mercados globais pelo relatório de emprego dos EUA, a moeda americana recuava frente a divisas fortes e emergentes
Segundo a Reuters, o dólar caía 0,75% frente ao iene, a 153,25, acumulando perdas de 2,5% desde o fechamento da última sexta-feira anterior à vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. O euro avançava 0,16%, a US$ 1,1914, enquanto a libra subia 0,3%, a US$ 1,3680. A moeda americana também cai 0,25% frente ao franco suíço, a 0,7659.
O movimento ocorre após indicadores recentes reforçarem sinais de desaceleração na economia dos EUA. As vendas no varejo de dezembro vieram abaixo do esperado e um relatório separado mostrou que os custos trabalhistas cresceram menos que o previsto no quarto trimestre.
Na segunda-feira, 9, o dólar à vista já havia encerrado em queda de 0,62%, a R$ 5,188 — menor nível de fechamento desde maio de 2024 — acompanhando a perda de força global da moeda. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas, recuou 0,83%, aos 96,82 pontos.
O relatório de empregos de janeiro, que será divulgado às 10h30 pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), ganhou ainda mais peso após ter sido adiado por causa do shutdown parcial do governo dos Estados Unidos. A paralisação, provocada por impasse político em torno de recursos para o Departamento de Segurança Interna, deixou o BLS temporariamente sem orçamento para operar.
A divulgação foi reagendada após o Congresso aprovar leis orçamentárias pendentes e o presidente Donald Trump sancionar a medida que encerrou o segundo shutdown de seu governo, que durou quase quatro dias.
À Reuters, economistas projetam a criação de 70 mil vagas em janeiro, após 50 mil em dezembro. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,4%. Já o levantamento ADP mostrou abertura de 22 mil vagas no setor privado, abaixo das estimativas.
O dado é visto como determinante para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve. O mercado já precifica cerca de 0,6 pontos percentuais de cortes de juros até dezembro, embora dirigentes da autoridade monetária indiquem que as taxas podem permanecer estáveis por mais tempo.
O enfraquecimento do dólar ocorre dias após a moeda americana renovar máximas recentes e em meio a uma rotação global de fluxos para mercados emergentes. O real tem se beneficiado tanto do ambiente externo mais favorável ao risco quanto do diferencial de juros doméstico ainda elevado.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, atribuiu a queda recente da moeda principalmente a fatores externos, como a retração do DXY e o movimento de realocação de recursos globais. Ele também citou reportagem da Bloomberg indicando que reguladores chineses teriam recomendado a bancos evitar maior exposição a títulos do Tesouro dos EUA, além da sinalização de que o Japão pode adotar medidas para fortalecer o iene.
No exterior, além do iene, o dólar australiano chamou atenção ao superar US$ 0,71 pela primeira vez desde fevereiro de 2023, negociado a US$ 0,7104. O movimento ocorre após o Banco da Reserva da Austrália elevar a taxa de juros para 3,85%, no primeiro aumento entre economias do G10 fora o Japão.
Analistas destacam que uma surpresa relevante no payroll — para cima ou para baixo — pode redefinir a trajetória do dólar nas próximas semanas.