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Google faz dívida de 100 anos para bancar investimento em IA: entenda

Alphabet busca financiamento que ultrapassa a expectativa da vida humana para sua expansão na Inteligência Artificial

Alphabet: Dívida de 100 anos mostra o quão agressivas as empresas de tecnologia estão na busca por valor para acelerar a expansão e vencer a corrida da IA.

Alphabet: Dívida de 100 anos mostra o quão agressivas as empresas de tecnologia estão na busca por valor para acelerar a expansão e vencer a corrida da IA.

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 10h24.

Última atualização em 12 de fevereiro de 2026 às 09h00.

A Alphabet, controladora do Google, está preparando uma operação que chama atenção até em um mercado acostumado a números bilionários: a empresa planeja vender um título de dívida com vencimento em 100 anos. Entre outras palavras, a companhia tomará dinheiro emprestado dos investidores agora, mas pagará o valor principal daqui a um século. Enquanto isso, o comprador receberá rendimentos do título.

Empresas de tecnologia geralmente não emitem dívidas tão longas, já que o setor muda rapidamente e a continuidade de uma empresa por um século é incerta. A emissão foi confirmada por fontes próximas à operação a veículos como Bloomberg, Reuters e CNBC, mas a Alphabet ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

Apesar de ultrapassar a expectativa de vida humana, os principais tomadores desse tipo de dívida são fundos de pensão e seguradoras. É uma dívida boa para esse modelo de gestão, uma vez que diminui a necessidade de rolagem, segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

O que chama atenção é que os investidores estão muito interessados em comprar os títulos, segundo informações da Bloomberg. O alto interesse seria um sinal de que muitos confiam nas grandes empresas de tecnologia, como o Google, para continuarem sendo lucrativas a longo prazo. Para Praça, isso mostra o quão agressivas as empresas de tecnologia estão na busca por recursos para acelerar a expansão e vencer a corrida da IA.

Gabriel Cecco, especialista do Valor Investimentos, afirma que a alta demanda demonstra que investidores institucionais de longo prazo estão confortáveis com a capacidade da companhia em continuar gerando caixa por décadas.

“Ninguém compra um papel de 100 anos apostando em euforia ou acreditando em bolha. É um capital que entra mirando estabilidade”, opina.

O movimento, de certa forma, dá continuidade à distinção que o mercado vem fazendo entre empresas com fundamentos fortes e apostas mais frágeis.

Crescimento a jato

A decisão da Alphabet de recorrer ao mercado de dívida para financiar seus investimentos em IA reflete a pressão por recursos para suportar seu rápido crescimento, especialmente em áreas como serviços em nuvem e chips de inteligência artificial. A companhia anunciou recentemente um gasto de até US$ 185 bilhões em despesas de capital para 2025, um número impressionante que a coloca ao lado de outros "hiperescaladores" como Amazon e Meta, que também têm buscado o mercado de dívida para garantir seu crescimento exponencial.

Embora os riscos associados a essa grande expansão e as incertezas sobre a monetização do modelo de negócios baseado em IA ainda sejam questões em aberto, analistas destacam que a Alphabet tem conseguido equilibrar os riscos.

"Eles comunicaram que pretendem investir o dobro do ano passado no desenvolvimento ligado a inteligência artificial, logo depois de superar as expectativas do 4º trimestre, ou seja, aparentam estar bastante confiantes no futuro da IA e podemos acreditar que o retorno será muito superior em um futuro de médio e longo prazo", afirma o diretor de análise da ZERO.

Um caso brasileiro: Vale também já teve título centenário

A Vale também se aventurou no mercado de dívida de longo prazo. Emitiu títulos perpétuos em 1997, pouco antes de sua privatização, com vencimento em 2099.

No ano passado, a empresa lançou uma oferta para recomprar esses papéis no mercado, disposta a desembolsar R$ 16 bilhões, e reduzir os custos de dívida da empresa. A rentabilidade desses títulos, hoje, é mais alta do que o custo de financiamento da mineradora.

Ao todo, a Vale conseguiu recomprar R$ 3,8 bilhões, já que somente 20% dos debenturistas aceitaram vender o título de volta à mineradora.

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