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Dona da Riachuelo vê lucro crescer 29% e avanço de 7% em 'mesmas lojas'

Guararapes teve melhor quarto trimestre em cinco anos, afirma administração da varejista

Balanço da Riachuelo: indicador de vendas de Vestuário em mesmas lojas, o Same Store Sales (SSS) avançaram 7,2% (Alessandro Gruetzmacher/Divulgação)

Balanço da Riachuelo: indicador de vendas de Vestuário em mesmas lojas, o Same Store Sales (SSS) avançaram 7,2% (Alessandro Gruetzmacher/Divulgação)

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 19h27.

O grupo Guararapes, dono das Lojas Riachuelo, repetiu o desempenho positivo dos trimestres recentes e encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 322 milhões, alta de 28,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com a empresa, foi o melhor resultado da companhia para um quarto trimestre em cinco anos.

No acumulado do ano, a companhia alcançou lucro histórico de R$ 512 milhões, mais do que o dobro do lucro anual de 2024, de R$ 235,2 milhões. O resultado antes de juros, impostos, amortização e depreciação de todas as operações do grupo, (Ebitda consolidado, na sigla em inglês), também alcançou recorde de R$ 1,8 bilhão em 2025, avanço de 20% sobre o valor de 2024, de R$ 1,5 bilhão.

A margem Ebitda consolidada chegou a 20,6%, uma alta de 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano retrasado, atingindo o nível mais elevado dos últimos cinco anos. Na operação de Mercadorias, a margem foi de 20%, com expansão anual de 1,7 ponto percentual, também no melhor patamar em cinco anos.

A Midway Financeira registrou Ebitda de R$ 126 milhões, crescimento de 28,4% na comparação anual.

Segundo o grupo varejista, o desempenho no período deve-se "a um novo patamar de maturidade operacional e financeira, fruto de uma jornada de transformação sustentada pela evolução estratégica dos últimos anos e por um modelo integrado que conecta marca, produto, operação e experiência do
cliente, com foco em eficiência e qualidade do crescimento", apontou a Guararapes.

No consolidado de 2025, a operação de Mercadorias foi um dos principais motores do resultado, em um ano em que analistas já previam desempenho superior por parte da companhia na comparação com o de concorrentes.

A margem bruta de Vestuário alcançou 56,7%, avanço de 2,4 pontos percentuais sobre 2024 e o melhor nível em sete anos, refletindo ganhos de eficiência e maior assertividade no core business de moda, segundo o grupo.

As receitas da empresa somaram R$ 3,2 bilhões entre outubro e dezembro, o que ultrapassa em 9% o faturamento apurado no último trimestre do ano anterior. A receita do segmento de mercadorias — que engloba Riachuelo, Casa Riachuelo e Carter’s — apresentou alta de 8,9% na base anual, somando R$ 7,8 bilhões.

Vendas de Vestuários em lojas superam expectativa

O indicador de vendas de Vestuário em mesmas lojas, o Same Store Sales (SSS) avançaram 7,2%, completando o 10º trimestre consecutivo de evolução, enquanto a margem bruta de Vestuário atingiu 57,8%, com expansão de 2,9 pontos percentuais em relação ao 4° trimestre de 2024, marcando o nono trimestre seguido de avanço.

O desempenho veio em um cenário desafiador para o varejo no segundo semestre, mas ainda assim acima das projeções do UBS BB, que estimava crescimento de vendas nas mesmas lojas (SSS) de 5,3% para a companhia, superior ao esperado para pares como Renner e C&A.

A Midway Financeira também reforçou o resultado anual, segundo a Guararapes, com Ebitda de R$ 482 milhões, alta de 19,3% ante 2024. O avanço ocorre em um ambiente de juros elevados e aumento da inadimplência no sistema, apontado por analistas como fator de risco para o consumo.

O balanço também destaca que ao longo de 2025, a dona da Riachuelo avançou no reposicionamento da marca, colocando produto e experiência do cliente no centro da estratégia.

A companhia intensificou investimentos em moda e inovação, com destaque para colaborações como a de Helô Rocha, além do lançamento de novas linhas, como a D-Sync, voltada ao segmento fitness com foco em tecnologia e funcionalidade.

O movimento também se refletiu nas lojas, com a inauguração de uma pop-up store em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, concebida como laboratório de experimentação, antecipando o novo conceito que deve orientar a evolução das mais de 300 unidades da rede nos próximos anos.

"Os resultados de 2025 refletem uma companhia em um estágio mais maduro do ponto de vista estratégico. Evoluímos não apenas na execução, com captura de eficiências e maior disciplina de gestão, mas também na forma como construímos marca, produto e experiência", disse André Farber, CEO da Riachuelo.

"Colocar o produto no centro da estratégia, com mais identidade e conexão com o consumidor, tem sido fundamental para sustentar uma evolução consistente da qualidade do negócio", acrescentou.

Durante o ano passado, o grupo também realizou a venda do Midway Mall, no valor de R$1,6 bilhão, o que, na avaliação da empresa, possibilitou uma distribuição recorde de dividendos.

Dívida e caixa

O grupo varejista encerrou 2025 com R$ 560,2 milhões em dívida líquida, acima do endividamento de dezembro de 2024, de R$ 498,7 bilhões. Assim, o nível de alavancagem, relação entre dívida líquida e Ebitda ajustada, foi de 0,3 vezes em dezembro de 2025, mesmo nível na comparação anual.

No ano passado, a Guararapes encerrou com R$ 1,9 bilhão em caixa, o que equivale a 382% da dívida bruta de curto prazo. De outubro a dezembro, o fluxo de caixa livre registrou ligeira queda de 0,73% ante o totalizado no ano anterior, com R$ 481 milhões.

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