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Log (LOGG3) lucra R$ 363 milhões em 2025 e turbina reciclagem de ativos

A companhia assinou um acordo vinculante para a criação de um veículo de investimentos no valor de R$ 1,05 bilhão

Ativo da Log em Contagem, Minas Gerais (Log/Divulgação)

Ativo da Log em Contagem, Minas Gerais (Log/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 19h07.

Última atualização em 11 de fevereiro de 2026 às 19h10.

A Log Commercial Propertier (LOGG3), empresa de construção e gestão de galpões logísticos da família Menin, reportou receita líquida recorde, alcançando R$ 248,8 milhões, aumento de 13,2% em relação a 2024. O lucro líquido anual foi de R$ 363,5 milhões, um aumento de 5,6%, atendendo ao guidance da empresa.

O modelo de negócios da Log é dividido em dois segmentos principais: locação e desenvolvimento. Enquanto a linha da receita reflete apenas os ganhos com aluguéis e prestação de serviços, o lucro final da companhia é fortemente impulsionado pela atividade de desenvolvimento e reciclagem de ativos, que seguiu forte.

Em 2025, o lucro gerado pelo segmento de desenvolvimento foi de R$ 289,4 milhões, enquanto o lucro do segmento de locação foi de R$ 74,1 milhões. A geração de valor das vendas de ativos não é contabilizada na receita de locação, mas sim na linha de desenvolvimento de ativos, que registrou R$ 544,9 milhões no resultado operacional do ano.

O lucro por ação foi de R$ 4,06, refletindo um crescimento de 2,8%. A distribuição de dividendos foi outro destaque, com um total de R$ 346,1 milhões, representando 97,6% do lucro líquido.

O Ebitda também foi um marco para a companhia, atingindo R$ 602,1 milhões, com alta de 22% sobre o ano anterior. Ao longo do ano, a Log entregou 287 mil metros quadrados de ABL, com uma absorção bruta de 545 mil metros quadrados.

No recorte do quarto trimestre, a Log manteve seu ritmo de crescimento, com receita líquida de R$ 65,2 milhões, alta de 16,6% em relação ao mesmo período de 2024. O Ebtida do período foi de R$ 148,1 milhões, um crescimento de 3,9%. No entanto, o lucro líquido registrou queda de 21,4%, atingindo R$ 78,7 milhões, impactado principalmente pelo aumento das despesas financeiras devido ao CDI mais alto.

Transação histórica

A alavancagem da empresa, medida pela dívida líquida ajustada/Ebitda, ficou em 1,6x no trimeste, mas com a expectativa de redução após a venda de ativos anunciadas com o balanço. A companhia assinou um acordo vinculante para a criação de um veículo de investimentos no valor de R$ 1,05 bilhão, que inclui 12 ativos que totalizam 340 mil metros quadrados de ABL.

O portfólio é geograficamente diversificado, abrangendo 10 cidades diferentes, em 7 estados e 4 regiões do Brasil. O CEO da Log, Sergio Fischer, afirmou se tratar da maior transação da história da Log, que já vinha de uma trajetória de reciclagem de ativos iniciada em 2020.

“Nos últimos três anos, concluído 2025, a gente vendeu R$ 5 bilhões em ativos. Agora, começamos o ano com um volume recorde de vendas, mostrando o crescente apetite dos investidores por ativos logísticos. Estamos perto de um ciclo de queda nas taxas de juros e vemos um aumento nas aquisições de ativos. Com essa venda, sendo uma das principais transações de condomínios logísticos no Brasil, já iniciamos o ano de forma muito positiva”, explica o executivo.

A transação aconteceu em regime de garantia firme, com o comprometimento de compra de todos os 12 ativos. A venda foi concluída com uma margem bruta de 33%. O acordo visa estruturar um novo veículo que realizará uma oferta pública para a aquisição desses ativos futuramente.

A operação, sujeita à verificação de condições precedentes típicas desse tipo de negociação, não só visa aumentar a eficiência da estrutura de capital da Log, como também antecipar recursos essenciais para os investimentos planejados para 2026, destravando o potencial de geração de valor de novos projetos.

Com a conclusão da transação, a Log manterá a gestão comercial dos ativos adquiridos, bem como a administração imobiliária e dos condomínios, o que abrirá novas fontes de receita para a companhia. Além disso, a operação permitirá à Log reforçar sua inteligência comercial e garantir a continuidade de seu relacionamento com a carteira de clientes.

“Continuar com a gestão e administração dos ativos é muito importante para a gente, já que são receitas recorrentes que não exigem a locação de capital da Log, apenas prestação de serviço. Essas receitas têm uma diluição à medida que a escala cresce, o que é importante. Já temos uma margem muito positiva de 63%, com tendência de aumento, tanto no volume quanto na margem. Estamos muito animados com esse projeto, com ambições de quadruplicar essa receita nos próximos 4 a 5 anos. Estamos superando nossa meta nessa linha, o que nos deixa bastante otimistas para o futuro”, explica Fischer à EXAME.

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