Dólar à vista: é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 17h31.
Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 18h00.
O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira, 14, em leve alta frente ao real, na contramão do movimento observado no exterior, onde a moeda americana perdeu força. O câmbio doméstico fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,402.
Enquanto que o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, a divisa recuou 0,10%.
O desempenho do real também contrastou com o ambiente mais positivo do Ibovespa, que opera em forte alta com impulso das chamadas blue chips e da pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026.
O levantamento mostrou que a diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e candidatos da oposição diminuiu nos cenários de segundo turno, o que inicialmente levou o dólar a recuar. No entanto, por volta das 11h, o movimento mudou.
A moeda americana acelerou a alta e chegou a encostar em R$ 5,424 pouco depois de a Fox News informar que o Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu o processamento de vistos para 75 países, incluindo o Brasil.
A medida faz parte de uma ação do governo americano para restringir a entrada de pessoas consideradas com risco de se tornarem um "encargo público".
Os investidores também estão cautelosos com a escalada de tensões geopolíticas entre o Irã e os Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, segue apoiando os protestos contra o governo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e afirmou que iria "agir de acordo" assim que tivesse uma noção de quantos manifestantes foram mortos.
Esse cenário leva os investidores a recorrer a ativos de segurança como o ouro, cujo o contrato mais líquido do metal fechou em alta nesta quarta-feira, 14, renovando recorde.
"Nos EUA, o Treasury de 10 anos opera em torno de 4,1–4,2%, devolvendo parte da alta recente à medida que o mercado reforça apostas em cortes do Fed diante de dados de inflação e mercado de trabalho mais suaves, movimento que também sustenta a corrida por metais preciosos (ouro e prata em máximas históricas)", afirmou Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Os agentes também acompanharam nesta quarta uma bateria de indicadores dos EUA que também pesaram sobre a moeda. Entre eles, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), que subiu 0,2% em novembro ante outubro, após uma alta de 0,1% no mês anterior, segundo dados do Departamento do Trabalho do país.
O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) também divulgou o Livro Bege, apontando uma leve melhora no ritmo da atividade econômica americana.
"O Livro Bege divulgado hoje reforçou leitura de crescimento moderado da economia americana, com demanda e mercado de trabalho desacelerando na margem, mas sem sinais de recessão iminente, o que mantém a narrativa de cortes graduais de juros, não agressivos", disse Zogbi.
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.