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Dólar tem maior queda em um mês após sinal de negociação com Irã

Reportagem do New York Times sobre tentativa de diálogo entre Teerã e EUA reduz busca por ativos de segurança e pressiona moeda americana

 (Gary Cameron/Reuters)

(Gary Cameron/Reuters)

Publicado em 4 de março de 2026 às 09h58.

O dólar teve a maior queda em quase um mês depois que uma reportagem do The New York Times afirmou que membros do Ministério da Inteligência do Irã procuraram, indiretamente, a CIA para discutir termos para encerrar o conflito com Estados Unidos e Israel.

A notícia reacendeu nos mercados a expectativa de que o confronto possa abrir espaço para negociações diplomáticas, o que reduziu temporariamente a demanda por ativos considerados mais seguros.

O Bloomberg Dollar Spot Index ampliou perdas registradas anteriormente e chegou a cair até 0,4% nesta quarta-feira, 4. O indicador havia subido 1,4% nos dois dias anteriores, impulsionado pelos temores inflacionários e pela escalada da tensão no Oriente Médio.

Ceticismo sobre negociações

Apesar da reação inicial do mercado, autoridades americanas demonstraram cautela sobre a possibilidade de um acordo no curto prazo.

Crise no Irã faz bolsas globais apagarem ganhos — mas não o Ibovespa

Segundo o The New York Times, o contato iraniano ocorreu um dia após o início dos ataques de EUA e Israel contra alvos no território iraniano e foi realizado por meio da agência de inteligência de um terceiro país.

Autoridades ouvidas pelo jornal afirmaram que o gesto não é visto, neste momento, como um sinal concreto de negociação.

Tensões no Oriente Médio provocam correção nas bolsas globais

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma correção abrupta nas bolsas globais após semanas de valorização.

A aversão ao risco aumentou entre investidores e eliminou praticamente todos os ganhos recentes de diversos mercados.

O movimento pressionou índices internacionais e levou o MSCI Américas ao território negativo em 2026, enquanto outros indicadores globais reduziram de forma significativa os avanços acumulados no início do ano.

No Brasil, o impacto também foi imediato: a queda do Ibovespa fez o valor de mercado das empresas listadas na B3 encolher em R$ 166,4 bilhões em apenas um pregão. Apesar disso, o índice ainda sustenta valorização no acumulado do ano.

A alta do petróleo, impulsionada pelas preocupações com o fornecimento de energia no Oriente Médio, ajudou a limitar parte das perdas ao beneficiar empresas do setor de commodities energéticas. Ainda assim, investidores seguem cautelosos diante da incerteza geopolítica e de possíveis impactos sobre inflação e política monetária global.

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