Mercados: bolsas apagam ganhos em 2026 com guerra do Irã (Deagreez/Getty Images)
Repórter
Publicado em 4 de março de 2026 às 05h59.
Última atualização em 4 de março de 2026 às 10h47.
O início de março trouxe uma reviravolta para os mercados globais. Após semanas de alta, as bolsas internacionais passaram por uma correção abrupta com a escalada das tensões no Oriente Médio, que elevou a aversão ao risco entre investidores.
A correção eliminou praticamente todos os ganhos recentes das bolsas globais — e levou o índice MSCI Américas ao campo negativo em 2026.
O MSCI Ásia-Pacífico, que havia alcançado alta próxima de 14% no fim de fevereiro, recuou para 4,9% no acumulado do ano. O MSCI World passou a registrar avanço de 0,9%, enquanto o MSCI Europa subia 0,7%. Já o MSCI Américas caiu para -0,2%, tornando-se a única região em território negativo em 2026.
A pressão também aparece nos principais índices de mercado. Nos Estados Unidos, o S&P 500 acumula queda de 0,61% no ano, segundo dados compilados pela EXAME, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, recua 3,09%.
Na Europa, o DAX, da Alemanha, registra baixa de 3,05%, ao passo que o FTSE 100, de Londres, ainda sustenta valorização de 5,36%. Na Ásia, o Nikkei 225, do Japão, avança 3,61%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, cai 2,17%.
O ponto de inflexão aconteceu no último sábado, 28, após o ataque envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que ampliou o temor sobre a estabilidade no Oriente Médio e pressionou ativos de risco em diversos mercados.
No Brasil, o reflexo chegou na terça-feira, 3. Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o valor de mercado das empresas listadas na B3 encolheu R$ 166,4 bilhões em apenas um pregão, passando de R$ 5,524 trilhões em 2 para R$ 5,358 trilhões no fechamento. Apesar disso, no ano o Ibovespa acumula uma variação positiva de 13,64%.
A turbulência internacional se refletiu diretamente no principal índice da bolsa brasileira.
O Ibovespa caiu 3,28% em 3, registrando a queda diária mais intensa desde dezembro, quando o índice havia recuado 4,30%.
A correção ocorre após um início de ano marcado por forte valorização. O índice encerrou 2025 aos 161.125 pontos, com alta anual de 34%.
Nos primeiros dois meses de 2026, o mercado manteve o otimismo. O Ibovespa renovou nove recordes, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pela expectativa de queda da Selic.
O pico ocorreu no dia 25 de fevereiro, quando o índice atingiu aproximadamente 192.623 pontos, o maior nível já registrado.
Apesar da queda generalizada das ações, alguns setores registraram desempenho diferente.
A crise no Oriente Médio elevou o preço do petróleo em cerca de 3%, após preocupações com a estabilidade do suprimento energético na região.
Alguém falou reação tímida? Mercado já estava em 'modo choque' e ninguém reparouO movimento beneficiou empresas do setor de energia e ajudou a reduzir parte das perdas do mercado acionário brasileiro, já que o Ibovespa possui forte peso em companhias ligadas a commodities energéticas.
Ainda assim, o avanço dessas ações não foi suficiente para evitar a forte correção da bolsa brasileira no pregão.
Além das tensões externas, investidores continuam avaliando indicadores da economia doméstica.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, número que o mercado ainda incorpora às projeções de atividade e de trajetória dos juros para 2026.
No cenário internacional, analistas também passaram a revisar expectativas para cortes de juros, já que a crise geopolítica pode atrasar decisões de política monetária.