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Dólar sobe com guerra no Irã. Mas a alta vai durar?

Analistas apontam déficits fiscais e incerteza política nos EUA como fatores de pressão

Dólar: moeda opera na faixa de R$ 5,23, com variações ao longo do dia. (Deagreez/Getty Images)

Dólar: moeda opera na faixa de R$ 5,23, com variações ao longo do dia. (Deagreez/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 17 de março de 2026 às 08h38.

O dólar voltou a ganhar força nas últimas semanas, impulsionado pela guerra no Irã e pela alta nos preços do petróleo. No curto prazo, o movimento indica pressão de valorização da moeda americana.

O DXY, índice que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, passou a operar próximo das máximas dos últimos dez meses, com avanço de 2,67% na semana.

Apesar da recente alta, o indicador acumula queda de quase 10% ao longo de 2025, segundo dados citados pela CNBC, o que sinaliza uma reversão após um período prolongado de desvalorização.

No primeiro semestre de 2025, o dólar registrou seu pior desempenho em mais de 50 anos, após o recuo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em relação às tarifas comerciais.

Agora a moeda americana se valorizou frente às principais divisas globais, retomando, ao menos temporariamente, seu papel tradicional de ativo de refúgio em momentos de turbulência.

O dólar era negociado na casa de R$ 5,23 na manhã desta terça-feira, 17, mantendo-se próximo das máximas recentes e registrando queda de 1,73% por volta das 7 horas, horário de Brasília.

Geopolítica e petróleo sustentam a alta

Com a alta do petróleo — em especial do West Texas Intermediate (WTI), referência americana —, cresce a demanda por dólares, já que a commodity é cotada na moeda dos EUA.

Analistas de câmbio do banco HSBC afirmaram à CNBC que as tensões no Irã reforçaram, novamente, o papel da moeda americana como principal porto seguro global.

Ao mesmo tempo, outras moedas tradicionalmente consideradas seguras perderam força, como é o caso do iene japonês. O euro e a libra esterlina recuaram diante da maior exposição da Europa ao petróleo.

A dependência europeia de importações de energia torna a região mais vulnerável à alta dos preços, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, segundo fontes ouvidas pela CNBC.

Os EUA, por outro lado, aparecem em posição mais confortável, pois se tornaram autossuficientes na produção de petróleo bruto e estão, relativamente, mais protegidos de interrupções logísticas no Golfo.

Valorização do dólar temporária; entenda

Apesar do movimento recente, os especialistas avaliam que a valorização do dólar tende a ser temporária: fatores que sustentaram a forte alta da moeda em 2022 já não estão mais presentes, de acordo com o HSBC.

O diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould, afirmou à CNBC, ainda, que os problemas estruturais que enfraqueceram o dólar antes do conflito permanecem.

"Entre eles, estão uma administração americana caprichosa cuja estratégia é difícil de decifrar, déficits fiscais enormes e pressão política sobre a independência dos bancos centrais", detalhou.

"Características que os investidores, francamente, esperariam de um mercado emergente, e não de um desenvolvido."Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell

No curto prazo, contudo, o comportamento do dólar continuará atrelado à evolução da guerra, e a moeda permanecerá forte enquanto durar a guerra, na visão do diretor de investimentos do Arbuthnot Latham, Jason da Silva.

"Mas, assim que a situação se normalizar, esperamos que o dólar continue a se desvalorizar. O dólar permanece caro e acreditamos que, a longo prazo, esse será o principal fator determinante de seus retornos", acrescentou.

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