Cédulas de dólar e de real: moeda americana perdeu força no final de 2025 (Thinkstock)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 17 de março de 2026 às 06h01.
Última atualização em 17 de março de 2026 às 10h43.
Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine, a cotação do dólar frente ao real poderá cair ainda mais nos próximos meses e atingir a faixa de R$ 4,90.
"O câmbio de médio prazo que as simulações mostram é alguma coisa perto de R$ 4,90", disse Oliveira, em conversa com jornalistas.
"O real depreciou muito em 2024. [O dólar] chegou a bater R$ 6,15, R$ 6,20. E, ao longo do ano passado, foi apreciando. Se o real continuar a se apreciar nominalmente, ele vai encostar nesta linha de R$ 4,90", afirma, com base em uma série de projeções feitas por ele.
"O real, no curtíssimo prazo, não está muito fora de lugar. Agora, quando tem uma janela, olhando para frente, usando o fundamento macro ou olhando o passado em uma ótica matemática, em nenhum método a mudança é superior a R$ 5,20, R$ 5,30, que estamos vendo hoje", diz Oliveira.
A moeda americana chegou a R$ 6,01 em abril de 2025, em meio ao tarifaço de Trump, mas perdeu força ao longo do ano passado. A queda foi mais intensa a partir de janeiro, quando o Brasil passou a receber maiores fluxos de investimentos estrangeiros. Em 25 de fevereiro, a moeda americana chegou a R$ 5,12.
Após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, o dólar teve leve alta para o patamar de R$ 5,30.
Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine (Divulgação)
Os últimos meses também foram marcados por uma queda do dólar em relação a outras moedas.
Oliveira avalia que a moeda americana tem perdido valor devido ao aumento do déficit fiscal americano e que os ataques ao Irã podem piorar o problema. Análises indicam que a guerra pode custar até US$ 1 bilhão por dia aos Estados Unidos.
Ele pondera , no entanto, que a valorização do real depende não só do comportamento global do dólar, mas também das variáveis do mercado brasileiro, especialmente de oferta e demanda.
"Os vetores que observo aqui indicam que a oferta de dólares vai aumentar, e não diminuir, neste país", diz.
O Brasil tem captado mais dólares com o aumento das exportações, especialmente de produtos agrícolas, e também ao atrair mais investidores para o mercado de capitais.
"Há dois fatores por trás desta alta: uma taxa de juros real muito alta e uma certa percepção, que os gringos tiveram antes, de que o Brasil é um vencedor nesta nova configuração geopolítica e geoeconômica", diz. "O Brasil está distante das coisas e nossos vizinhos não vão nos atacar."
Oliveira aponta que estes recursos que vêm ao Brasil estavam, em sua maioria, em outros mercados emergentes, como o México e a Índia, que tiveram atritos recentes com o presidente dos EUA, Donald Trump, ou outros problemas, como a ameaça de guerra entre o Paquistão e o Afeganistão.
O economista avalia que o Brasil deverá sofrer poucos impactos da guerra no Irã se ela durar pouco tempo, mas será afetado se a crise durar meses.
"Se for uma guerra prolongada, com petróleo acima de US$ 120, talvez o Banco Central até acelere o ritmo de corte de juros, por risco de recessão global", afirma.