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Dólar descola do exterior e sobe a R$ 5,46, por cautela com cenário eleitoral

Mesmo com a queda de juros nos EUA, o mercado manteve a percepção de risco criada pelas mudanças no cenário eleitoral

Essa é a segunda sessão consecutiva que a moeda americana exibe valorização frente ao real (Designed by/Freepik)

Essa é a segunda sessão consecutiva que a moeda americana exibe valorização frente ao real (Designed by/Freepik)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 17h27.

Última atualização em 10 de dezembro de 2025 às 17h39.

O dólar à vista subiu 0,62% nas negociações desta quarta-feira, 10, e encerrou o dia cotado a R$ 5,469, descolado do movimento de queda global da moeda americana. No índice DXY, que mede a força do divisa frente a uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, o dólar recuou 0,58%.

Essa é a segunda sessão consecutiva que a moeda americana exibe valorização frente ao real. No início do pregão de hoje, a moeda brasileira até chegou a se apreciar frente ao dólar, mas a dinâmica foi revertida ainda nas primeiras horas de negociação.

Segundo operadores, o mercado mantém a percepção de risco criada pelas mudanças no cenário eleitoral, com a confirmação, na sexta-feira, 5, da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

A leitura de mercado é que o avanço do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fragiliza a posição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome até então visto como favorito entre agentes econômicos por sua capacidade de atrair o centro. Além disso, parte dos agentes financeiros também aponta maiores chances de reeleição do atual presidente Lula (PT) numa eventual disputa com Flávio.

Nem mesmo a confirmação do terceiro corte de juros seguido nos Estados Unidos minimizou a aversão ao risco com o cenário eleitoral.

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para a faixa de 3,50% a 3,75%. A decisão veio dentro do esperado pelo mercado.

"O índice DXY cai na esteira da divulgação do Fed com a maioria das moedas globais se valorizando em relação ao dólar. No Brasil, porém, o câmbio se descola do alívio externo: o real segue pressionado pela busca de posições cambiais defensivas após o aumento das incertezas políticas com a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro", disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

"A volatilidade dos ativos domésticos, somada à curva de juros local ainda relutante em devolver prêmios, reforça o ambiente de aversão ao risco e mantém o dólar pressionado frente ao real", acrescenta o especialista.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

Acompanhe tudo sobre:DólarCâmbioJurosFed – Federal Reserve System

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