Dólar volta a cair: na segunda-feira, 9, a moeda americana já havia fechado a R$ 5,188, o menor valor desde 28 de maio de 2024 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 17h32.
Última atualização em 11 de fevereiro de 2026 às 17h40.
O dólar à vista voltou a operar no menor nível em quase dois anos ao encerrar as negociações desta quarta-feira, 11, em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,187. Na segunda-feira, 9, a moeda americana já havia fechado a R$ 5,188, o menor valor desde 28 de maio de 2024, quando terminou o dia a R$ 5,1534.
A desvalorização frente ao real ocorreu mesmo após a divulgação de dados mais fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O país criou 130 mil vagas em janeiro, segundo o relatório de empregos (payroll) divulgado pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS).
O resultado ficou acima das 50 mil vagas registradas em dezembro e superou a expectativa do mercado, que projetava 65 mil novos postos, de acordo com a mediana das estimativas de economistas ouvidos pela Bloomberg. A taxa de desemprego recuou para 4,3%, ante projeção de 4,4%.
Houve atraso na divulgação dos dados de janeiro devido à paralisação parcial do governo americano, encerrada no último dia 3.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o número surpreendeu de forma significativa. Segundo ele, o mercado esperava algo próximo de 50 mil a 60 mil vagas — patamar que vinha sendo considerado o “novo normal”, após uma desaceleração observada ao longo de 2025, quando a média mensal ficou em torno de 50 mil postos.
O resultado de 130 mil vagas, afirma, representa uma aceleração relevante, especialmente em um contexto de menor imigração, que havia reduzido o ritmo mensal de contratações.
De acordo com Alves, o dado mais forte impulsionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. As taxas dos papéis de dois anos subiram a 3,52%, as de cinco anos a 3,76% e as de dez anos a 4,20%.
O movimento também fortaleceu o dólar globalmente e reduziu as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, postergando as expectativas para junho ou para o segundo semestre. Às 17h36, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, estava praticamente estável, com ligeira alta de 0,03%.
Apesar do fortalecimento global da moeda americana, o real seguiu em valorização. A rotação de ativos, com fluxos adicionais direcionados ao Brasil, deu suporte ao câmbio em um dia em que o Ibovespa renovou recorde intradiário e caminhava para uma nova máxima histórica de fechamento.
Na avaliação de Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, o dólar mais fraco no Brasil acompanha um movimento observado ao longo do último ano, marcado pela entrada consistente de capital externo.
"O dólar mais fraco acompanha o movimento que vem marcando boa parte do último ano, que é a entrada consistente de capital externo. Esse fluxo pode estar associado tanto ao trade eleitoral com investidores apostando em uma possível mudança de governo quanto à expectativa de queda de juros no Brasil, que já é amplamente dada como certa para março", afirmou Gass.
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.