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Dólar dispara 2% e chega a R$ 5,28 com conflito no Irã

Movimento ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás consumidos diariamente no mundo

Dólar: movimento da moeda americana ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação ( user3222645/Freepik)

Dólar: movimento da moeda americana ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação ( user3222645/Freepik)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de março de 2026 às 11h15.

Última atualização em 3 de março de 2026 às 11h31.

O dólar opera em forte alta nesta terça-feira, 3, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Investidores buscam proteção diante do risco de interrupção no fluxo global de petróleo. Às 11h15 (horário de Brasília), a moeda americana subia 2,30%, cotada a R$ 5,284.

O movimento ocorre após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação, em meio ao conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. A região é rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos diariamente no mundo passam pelo estreito.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar embarcações que tentarem atravessar o trecho, o que elevou o temor de interrupção no abastecimento global. Os preços do petróleo reagiram imediatamente. Às 8h45, o barril do Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 84,31, alta de 8% no dia.

A escalada no conflito amplia a aversão ao risco e fortalece o dólar globalmente, movimento que atinge moedas emergentes como o real. “O real subiu mais nas últimas semanas em comparação com demais moedas emergentes. Agora, temos uma correção, com a moeda brasileira caindo mais. Isso mostra a liquidez da divisa”, explica Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

No cenário doméstico, investidores ainda digerem o PIB do quarto trimestre, que veio em linha com a expectativa, com alta de 0,1%, fechando o ano em 2,3%.

“O cenário, pelo lado da demanda, permanece apropriado para o início do ciclo de redução na Selic na próxima reunião do Copom. A alta do petróleo pode trazer algum incômodo, com maior risco no cenário externo, mas não tira o espaço para o início dos cortes no ritmo de 50 bps”, opina Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter.

Cristiane, no entanto, pondera. “Não muda a projeção para a queda da Selic, mas pode haver um tom mais cauteloso, com uma queda de juros lenta e gradual. Mas, hoje, o comportamento do mercado está ligado ao cenário externo”, afirma.

Na segunda, o mercado já havia reagido ao conflito, mas em direções distintas. O dólar fechou em alta de 0,60%, a R$ 5,164, após tocar R$ 5,215 na máxima do dia. Ao longo da tarde, a moeda perdeu força e reduziu parte dos ganhos.

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