Ibovespa derrete: índice tem queda inédita no ano
Redação Exame
Publicado em 3 de março de 2026 às 11h25.
Nesta terça-feira, o Ibovespa opera com uma queda inédita no ano. O índice de referência do mercado acionário brasileiro já abriu o dia com uma queda de mais de 3% e pouquíssimas ações em alta. A bolsa reflete um sentimento global de aversão ao risco, que piorou hoje. Os conflitos no Oriente Médio, que começaram no último sábado com o bombardeio ao Irã, estão escalando e os investidores temem por uma extensão além do que se previa inicialmente.
É o capital estrangeiro que mexe com a bolsa brasileira, pois é de fora que vem os grandes volumes financeiros que fazem o índice subir ou cair. Em uma situação de guerra, esse investidor que começou o ano animado com mercados emergentes se resguarda e tira o dinheiro de investimentos de maior risco, como o mercado de ações. Não é só o Ibovespa que está caindo. Bolsas em todo o mundo recuaram forte hoje, pelo mesmo motivo.
O petróleo é o que conecta a crise no Oriente Médio à economia global. O preço da commodity está disparando, pelo segundo dia seguidos O Brent, que é referência para o mercado internacional, chegou a ultrapassar os US$ 85 e analistas temem que a cotação ultrapasse os US$ 100, consolidando um novo patamar. Os efeitos dessa escalada chegam na economia real. O combustível fica mais caro e aumenta o custo de vida de maneira geral, por ser um insumo essencial em praticamente todas as cadeias produtivas. Se a inflação sobre, fica difícil reduzir os juros da economia e em alguns casos pode até ser necessário elevar a taxa.
Nesse sentido, os conflitos no Oriente Médio ocorrem em um momento no qual o Banco Central do Brasil se prepara para começar, por fim, os cortes na Selic, atualmente em 15%.
O Ibovespa tem a seu favor uma empresa de peso no portfólio exposta diretamente à variação do petróleo: a Petrobras. Mas hoje, nem a estatal consegue ganhar fôlego. Os papéis da empresa tinham alta moderada, o que já alguma coisa em dia de baixa generalizada. Aliás, somente as petrolíferas conseguem registrar algum ganho hoje, um dia de "banho de sangue" no mercado acionário global.