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Dólar cai para R$5,22 e acumula baixa de 0,53% na semana

Após leve alta na véspera, moeda americana voltou a fechar em queda ao cair 0,64% com maior apetite ao risco na sessão

Dólar encerra a semana em queda: moeda americana acumulou uma depreciação de 0,53% na semana frente ao real, em linha com o movimento observado em outras moedas de países emergentes ( bushko/Freepik)

Dólar encerra a semana em queda: moeda americana acumulou uma depreciação de 0,53% na semana frente ao real, em linha com o movimento observado em outras moedas de países emergentes ( bushko/Freepik)

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 17h19.

Última atualização em 6 de fevereiro de 2026 às 17h27.

O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 9, em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,22. Com o recuo de hoje, a moeda americana acumulou uma depreciação de 0,53% na semana frente ao real, em linha com o movimento observado em outras moedas de países emergentes, em um ambiente global mais favorável ao risco.

Ao longo do pregão, o dólar chegou a tocar a mínima de R$ 5,205, refletindo o aumento do apetite por ativos mais arriscados no exterior. O movimento marcou uma reversão em relação à sessão anterior, quando a divisa havia fechado em leve alta de 0,08%, a R$ 5,254, pressionada principalmente por fatores externos.

Segundo Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, o apetite por risco ganhou força no exterior, impulsionado por novos anúncios de investimentos de grandes empresas de tecnologia, especialmente no segmento de inteligência artificial.

"O mercado foi surpreendido, em certa medida, porque, embora o tema já estivesse no radar, havia a expectativa de algum desinvestimento em determinados segmentos. O que se viu foi o oposto: os investimentos anunciados por empresas como a Amazon impulsionaram as ações no exterior e também ativos de maior risco. O Bitcoin, que vinha em queda, voltou a ser negociado acima de US$ 68 mil", disse Viotto.

Nesse ambiente, moedas emergentes passaram a se beneficiar, com o real surfando essa onda de valorização frente ao dólar.

Dólar deve seguir caindo frente ao real?

Apesar do recuo hoje, em janeiro, o dólar também chegou a tocar os R$ 5,206, o menor nível de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando terminou o pregão vendida a R$ 5,1534.

Na avaliação do executivo, a tendência estrutural de enfraquecimento do dólar ainda deve persistir ao longo do ano, sustentada tanto pela política econômica americana quanto pelo cenário global. "O dólar mais fraco está no radar dos investidores e é uma tendência para este ano", afirma.

Ele pondera, no entanto, que movimentos de curto prazo podem trazer correções, seja por realização de lucros ou mudanças pontuais no fluxo. Ainda assim, Viotto vê espaço para a moeda americana se aproximar mais de R$ 5 do que de R$ 5,50, especialmente antes de abril, quando o cenário eleitoral brasileiro deve começar a ganhar mais peso na formação dos preços.

O principal risco para essa leitura, segundo ele, está no campo geopolítico. Um eventual conflito de maior escala envolvendo o Irã, com impacto direto sobre o Estreito de Ormuz e o mercado global de petróleo, poderia mudar de forma abrupta o humor dos investidores. "Fora isso, o meu call segue sendo de dólar mais fraco", afirmou.

No ano, o dólar acumula queda de 4,89% e de 9,45% em 12 meses. Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Daycoval, avalia, porém, que o fluxo estrangeiro que impulsionou principalmente a bolsa brasileira nas últimas semanas parece ter passado por uma acomodação, o que ajuda a explicar a formação de um suporte mais firme na faixa dos R$ 5,20.

"Sem novas perspectivas de entradas relevantes no curto prazo, o câmbio encontrou um suporte mais firme na faixa dos R$ 5,20, o que tende a manter a moeda oscilando em um intervalo mais estreito, sem quedas bruscas no curto prazo", afirmou Oliveira.

Ouro se recupera com dólar fraco

No mercado de commodities, o ouro recuperou parte das perdas recentes nesta sexta, beneficiado pelo enfraquecimento do dólar e pela entrada de investidores aproveitando os preços mais baixos. Ainda assim, o metal precioso encerrou a semana abaixo da marca de US$ 5 mil por onça-troy, após dias de forte volatilidade.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro do ouro para entrega em abril avançou 1,85%, cotado a US$ 4.979,80 por onça-troy. No acumulado da semana, porém, o metal registrou leve queda de 0,12%, em meio a preocupações persistentes dos investidores com as negociações entre Estados Unidos e Irã.

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