O ouro começou o mês de fevereiro em forte queda em relação a janeiro, após uma reversão abrupta que apagou parte relevante do rali recente e provocou uma das correções mais intensas das últimas décadas no mercado de metais preciosos.
Na segunda-feira, 2, o ouro à vista recuou cerca de 3,3%, para US$ 4.703,27 por onça, dando sequência à queda de quase 11% registrada na sexta-feira anterior. Foi o pior desempenho diário do metal desde 1983.
A prata apresentou perdas ainda mais acentuadas. Na sexta-feira, o metal caiu aproximadamente 31%, no pior dia desde 1980.
Nomeação no Fed muda expectativas
O principal catalisador da correção foi a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) pelo presidente Donald Trump, anunciada na sexta-feira, 30. A nomeação alterou de forma significativa as expectativas do mercado sobre a trajetória da política monetária dos Estados Unidos.
O mercado vinha precificando um cenário mais favorável a cortes de juros. Warsh, ex-diretor do Fed e associado a uma postura monetária mais restritiva, reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo ou de um ritmo mais lento de flexibilização.
Dólar forte e menor demanda por proteção
A mudança no cenário monetário impulsionou o dólar, que se valorizou de forma consistente. A moeda americana mais forte reduz a atratividade do ouro para investidores estrangeiros e aumenta o custo de oportunidade de ativos que não pagam juros.
Ao mesmo tempo, sinais de redução de tensões geopolíticas, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã, diminuíram a demanda por ativos de proteção, que havia sido um dos principais motores da alta recente dos metais.
Correção técnica e posições congestionadas
Analistas apontam que o rali dos metais havia se tornado excessivamente concentrado. A rápida ascensão dos preços atraiu fundos alavancados, estratégias quantitativas e investidores de curto prazo, criando um mercado sensível a qualquer mudança de narrativa.
Com a alteração nas expectativas sobre o Fed, o movimento se transformou em uma liquidação técnica, com realização de lucros e desmontagem de posições longas consideradas congestionadas.
Perspectiva segue positiva no médio prazo
Apesar da correção histórica, parte do mercado mantém uma visão construtiva para o ouro no horizonte de médio prazo. Persistem preocupações com déficits fiscais dos Estados Unidos, mudanças na política comercial e a busca de bancos centrais por diversificação de reservas.
Mesmo após a queda recente, o ouro acumula alta de cerca de 66% em 12 meses, enquanto a prata segue com desempenho positivo no acumulado do ano. A avaliação predominante é de que o mercado entra em uma fase de maior volatilidade, sem descaracterizar totalmente a tendência estrutural observada nos últimos anos.
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