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Disparada da prata impulsiona venda de joias e até conjuntos de jantar

A valorização vertiginosa do metal no ano passado entrou em ritmo acelerado, com os preços ultrapassando US$ 90 por onça na última semana

Preços da prata batem recorde: consumidores estão correndo para vender joias e conjuntos de jantar após aumentos vertiginosos (asbe/iStock/Getty Images)

Preços da prata batem recorde: consumidores estão correndo para vender joias e conjuntos de jantar após aumentos vertiginosos (asbe/iStock/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 15h46.

Consumidores ao redor do mundo estão correndo para transformar joias antigas, conjuntos de jantar e até objetos pouco convencionais em dinheiro, aproveitando a disparada histórica dos preços da prata. Em refinarias e casas especializadas, o fluxo de pessoas dispostas a vender pratarias de família cresceu a tal ponto que algumas operações já funcionam ininterruptamente para dar conta da demanda.

Segundo reportagem do Financial Times um desses casos é o da refinaria Dillon Gage, no Texas, nos Estados Unidos, onde joias, talheres e até obturações dentárias antigas estão sendo derretidas.

O presidente da empresa, Terry Hanlon, afirmou ao jornal que a companhia opera em três turnos, sete dias por semana, sem conseguir atender totalmente os pedidos. O movimento reflete um comportamento mais amplo de consumidores tentando capitalizar a valorização excepcional do metal.

Os preços da prata ultrapassaram US$ 90 por onça nesta semana e, mesmo após uma correção na sexta-feira, 16, eles acumulam alta de cerca de 25% em apenas 18 dias de janeiro.

Em um intervalo de 12 meses, o metal chegou a triplicar de valor, com oscilações intensas ao longo do caminho. Comerciantes relatam que estoques de moedas de prata estão sendo consumidos em ritmo recorde, enquanto participantes do mercado alertam para sinais de escassez global.

Investidores PFs direcionam recursos para a prata

De acordo com o Financial Times, essa valorização expressiva — que supera até o desempenho recente do ouro — ocorre em um contexto considerado atípico.

O mercado convive com um déficit de prata há cinco anos, ao mesmo tempo em que uma onda de investidores individuais passou a direcionar recursos para o metal, impulsionada por incertezas geopolíticas e dúvidas sobre a segurança do dólar.

Parte desse movimento também drenou estoques historicamente elevados nos Estados Unidos e na China, reduzindo a disponibilidade de prata em Londres, referência para os preços globais.

Especialistas ouvidos pelo jornal descrevem o cenário como uma “tempestade perfeita”. Diferentemente do ouro, a prata não conta com bancos centrais atuando como vendedores de última instância em momentos de estresse.

Além disso, a produção reage pouco às altas de preço, já que o metal é extraído principalmente como subproduto da mineração de chumbo e zinco. Com isso, a volatilidade aumentou, levando a bolsa CME a elevar repetidamente as exigências de margem para contratos futuros nas últimas semanas.

ETFs de prata batem recorde

A reportagem destaca ainda o papel dos investidores de varejo. Dados da Vanda Research mostram que aportes em ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês), lastreados em prata atingiram US$ 921 milhões em um período de 390 dias, um recorde.

Para alguns participantes do mercado, trata-se menos de uma alta sustentada por fundamentos tradicionais e mais de uma nova onda especulativa, ainda que mais intensa e duradoura do que o movimento visto em 2021, quando fóruns online impulsionaram uma breve disparada do metal.

Ao mesmo tempo, a demanda física pressiona o mercado. Corretoras em Londres relatam que produtos de prata se esgotam em poucas horas, enquanto a Casa da Moeda Real do Reino Unido informou prazos incomuns de até seis semanas para recompor estoques.

Analistas apontam que o crescimento das reservas de ETFs reduziu a chamada “prata em livre circulação”, limitando o material efetivamente disponível para negociação no mercado londrino.

Apesar da euforia financeira, há preocupações sobre os efeitos da alta nos setores industriais, que tradicionalmente respondem por até metade da demanda global de prata, em aplicações como painéis solares, veículos elétricos e eletrônicos.

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