Ouro: metal teve uma alta anual próxima de 65% em 2025 ( Sven Hoppe/picture alliance /Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 07h49.
O ouro atingiu um novo recorde nesta segunda-feira, 12, em meio a uma busca por ativos de proteção diante de choques geopolíticos e de política monetária nos Estados Unidos.
O ouro à vista avançou 2% e superou US$ 4.600 por onça pela primeira vez, antes de reduzir parte dos ganhos, segundo dados da LSEG. No ano, os preços já acumulam alta de cerca de 6%.
O movimento ganhou força após a abertura de uma investigação envolvendo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e especulações sobre uma possível mudança antecipada na liderança do banco central.
Promotores federais analisam a reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do Fed em Washington e o depoimento de Powell ao Congresso, conforme afirmou o próprio dirigente em um vídeo divulgado no domingo à noite.
Powell disse que a investigação decorre da frustração de longa data do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a resistência do Fed em cortar os juros de forma mais rápida e agressiva.
A possibilidade de um novo presidente do Fed abrir caminho para cortes mais acelerados de juros é tradicionalmente favorável ao ouro, que não paga rendimento e se beneficia da queda no custo de oportunidade.
Novos focos de tensão envolvendo Irã e Venezuela também aumentaram a atratividade do ouro como porto seguro.
As tensões com o Irã voltaram ao radar após Washington sinalizar que avalia opções para responder à instabilidade no país. Já no início do ano, os EUA lançaram uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro no fim de semana passado.
Nesse ambiente, analistas veem espaço para que o preço do ouro continue a subir, diante da persistência de incertezas geopolíticas.
O HSBC afirmou que o impulso das negociações pode levar o ouro a US$ 5.000 por onça no primeiro semestre de 2026, mesmo com volatilidade elevada e correções mais frequentes.
O banco atribui o rali à combinação de demanda por proteção, dólar mais fraco e incerteza de política econômica, além de déficits fiscais crescentes nos EUA e em outras economias.
Os preços do ouro já haviam registrado uma alta anual próxima de 65% em 2025, a maior em décadas.