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Constantino Jr. fundou primeira aérea brasileira low cost

No início dos anos 2000, a GOL foi a primeira companhia brasileira a adotar o bilhete eletrônico e as vendas pela internet.

Aeronave Boeing 737-800 (PR-GGM), destaque da companhia brasileira GOL Linhas Aéreas.  (Getty Images)

Aeronave Boeing 737-800 (PR-GGM), destaque da companhia brasileira GOL Linhas Aéreas. (Getty Images)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 11h43.

Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 12h02.

Quando chegou ao mercado em 2001, fundada por Constantino Júnior, a GOL Linhas Aéreas se destacou por ser primeira companhia aérea brasileira a operar com o modelo de baixo custo e alta eficiência (low cost, low fare). Na época, a estrutura da empresa revolucionou o mercado local ao democratizar o acesso ao transporte aéreo, introduzir check-in digital e utilizar frota única Boeing 737.

Essas medidas permitiram à empresa oferecer tarifas mais competitivas e atrair um público que até então não viajava de avião com frequência, o que ajudou ampliar o mercado aéreo brasileiro.

O ex-CEO Constantino Júnior, que faleceu neste sábado, 24, era filho de Nenê Constantino, fundador do Grupo Áurea, e começou a trabalhar aos 14 anos como digitador em uma das empresas da família. Aos 15, aprendeu a pilotar aviões, unindo duas paixões que marcariam a trajetória da Gol. A Gol comemorou 25 anos de história no último dia 15 de janeiro.

Crescimento acelerado e consolidação

Nos anos seguintes ao início das operações, com Constatino Júnior à frente da operação, a GOL apresentou um crescimento rápido e consistente. A expansão da malha aérea, aliada à forte demanda por passagens mais baratas, consolidou a companhia como uma das líderes do setor no Brasil.

Um marco importante dessa trajetória ocorreu em 2007, quando a GOL adquiriu a Varig, uma das companhias aéreas mais tradicionais do país. A operação fortaleceu a presença da empresa em rotas estratégicas, ampliou sua atuação internacional e consolidou sua posição entre as maiores companhias aéreas da América Latina.

Paralelamente ao avanço tecnológico, a companhia criou o Instituto GOL, entre 2010 e 2012, impulsionou o reconhecimento por iniciativas de acessibilidade, como o desenvolvimento de rampa de acesso à aeronave e da primeira escada com elevador do setor.

Entre os marcos recentes da companhia está a entrada no grupo Abra, em maio de 2022, holding que reúne também a Avianca e a Wamos. “É um orgulho para a Abra contar com o legado e o time de uma companhia aérea como a GOL. Sei que juntos seguiremos fazendo história e voando”, afirmou Adrian Neuhauser, CEO do grupo, na época.

Futuro com atuação nacional e internacional

Atualmente, a GOL Linhas Aéreas opera uma extensa malha de voos nacionais e internacionais, e conecta dezenas de destinos no Brasil, na América do Sul, no Caribe e nos Estados Unidos. A companhia mantém sua estratégia focada em eficiência operacional, inovação tecnológica e experiência do cliente.

Em 2026, além de celebrar seu jubileu de prata, a empresa projeta a maior alta temporada de verão de sua história, com crescimento de 20% em relação ao verão 2024/2025, somando mais de 5.200 voos e cerca de 980 mil assentos destinados a operações internacionais.

Com foco em um futuro cada vez mais global, a companhia também vem acelerando a expansão internacional. Entre os destaques recentes estão o anúncio de voos diretos e exclusivos para destinos estratégicos como Ushuaia, no extremo sul do continente, e Bariloche, ambos previstos para o inverno de 2026.

Desistência da união com a Azul e queda no mercado

Apesar do crescimento, a Gol enfrenta outros problemas de desvalorização na Bolsa de Valores. A companhia integra o grupo de companhias aéreas que viram seus papéis praticamente perderem valor na Bolsa desde o início da pandemia, em 2020. Em um intervalo de cinco anos, as ações acumulam desvalorização próxima de 99%.

Em janeiro de 2025, a possibilidade de união entre GOL e Azul surgiu como uma resposta estratégica a um cenário de forte pressão financeira e estrutural no setor aéreo brasileiro, especialmente após os impactos da alta do dólar e do custo do combustível.

O movimento entre Gol Linhas Aéreas e Azul foi oficialmente encerrada porque as negociações não avançaram de forma significativa nos meses que se seguiram à assinatura do memorando.

A controladora da Gol, o Grupo Abra, comunicou a desistência após constatar que as conversas ficaram estagnadas, em grande parte porque a Azul tem concentrado esforços no seu próprio processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

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