Invest

Banco Mercantil do Brasil (BMEB3): foco para crescimento é em clientes 50+

Em entrevista exclusiva à EXAME Invest, o CEO, Gustavo Araújo, explicou que a ideia é "antecipar a tendência natural da população brasileira a envelhecer"

Gustavo Araújo, CEO do Banco Mercantil do Brasil (BMEB3) (Banco Mercantil do Brasil/Exame)

Gustavo Araújo, CEO do Banco Mercantil do Brasil (BMEB3) (Banco Mercantil do Brasil/Exame)

Em 2030 o Brasil terá mais do que um terço de sua população com idade superior a 50 anos. Cerca de 70 milhões de pessoas que precisarão de bens e serviços pensados para suas exigências. E é esse o público em que o Banco Mercantil (BMEB3) está se concentrando para sua estratégia de crescimento.

Em entrevista exclusiva à EXAME Invest, o CEO do Banco Mercantil, Gustavo Araújo, explicou que a ideia é "antecipar a tendência natural da população brasileira a envelhecer".

"Estamos no final do bônus demográfico, com aumento da longevidade e cada vez mais estamos perto desse número tão expressivo de população com mais de 50 anos. Por isso, estamos reposicionando toda a oferta do banco para atender a esse público-alvo", explicou o executivo.

Araújo salientou como já hoje a faixa etária que mais consome é 50+, já que 46% das decisões de consumo das famílias brasileiras são feitas por essa faixa etária.

Além disso, 50% dos empresários brasileiros hoje têm mais de 50 anos. "E essa é uma característica muito interessante, pois demonstra que é um público muito ativo", salienta Araújo.

O executivo chama essa geração de "geração sanduíche", pois é "população que sustenta os pais, e muitas vezes sustenta os filhos que não saem de casa".

"Um mercado enorme e muito interessante, seja por dados demográficos ou antropológicos. Um mercado grande, crescente, e que demanda cada vez mais produtos específicos que não são oferecidos pelo mercado", diz o CEO, "Quem está liderando esse mercado? Pouquíssimas empresas. Uma ou duas. E no mercado financeiro, nenhuma. Por isso consideramos esse segmento uma grande oportunidade. Um mercado pouco endereçado onde sabemos fazer bem".

Graças a essa estratégia, o Banco Mercantil conseguiu alcançar mais de 5 milhões de clientes, com um crescimento de 87% em um ano. Desse total, 75% tem mais de 50 anos.

Atualmente, o banco tem uma carteira de crédito de R$ 9,7 milhões, com uma carteira de crédito consignado em R$ 5,7 bilhões, um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 16,3% e um índice de Basileia de 14%.

Banco Mercantil (BMEB3) aposta em estratégia diferenciada para captar clientes

Para tentar conquistar esses clientes mais maduros, o Banco Mercantil decidiu ir "na contramão" das estratégias dos bancos digitais, que apostam suas fichas na força das redes sociais e da internet, e trabalhar com a mídia tradicional.

"Temos um arsenal completo em nossa estratégia de captação de cliente. Começamos na mídia televisiva, que é muito consumida pelo público com mais de 50 anos, mas também apostamos no modelo de member get a member, a boa e velha indicação por parte de clientes satisfeitos. Mas não desdenhamos também as redes sociais, principalmente o Facebook, que é a queridinha dessa faixa etária", explica Araújo.

Questionado sobre como o banco tenta driblar as dificuldades que, muitas vezes, esse público-alvo apresenta com a tecnologia, Araújo explicou que conseguiu criar uma fórmula para que o cliente consiga abrir uma conta-corrente e resolver todas as necessidades diretamente pelo WhatsApp.

"O WhatsApp é o aplicativo mais usado no Brasil, especialmente por essa faixa etária. Criamos um sistema onde o cliente não precisa sequer baixar o app do Banco Mercantil para abrir a conta. Faz tudo pelo WhatsApp mesmo, de forma automática e segura. De abertura de contas até contratação de empréstimos, até compra de produtos. E o público está gostando dessa novidade", salienta Araújo.

Hoje, mais de 50% do atendimento do banco é feito através do WhatsApp, com mais de R$ 250 milhões de crédito originado via aplicativo.

Respondendo à pergunta sobre inadimplência, Araújo explicou que ela se mantém por volta de 3%, em linha com o mercado.

"Cerca de 95% do crédito concedido é letra A ou AA. Apesar da forma mais "prática" de concessão de crédito, temos uma inadimplência muito controlada e muito constante", salienta o executivo, "além disso, conseguimos ter um custo de funding bem baixo, cerca de 90% do CDI".

O marketplace também se tornou um dos instrumentos mais importantes para captar, e reter, os clientes.

"Temos mais de 1 milhão de cartões concedidos. Com eles, uma a cada cinco compras no cartão é feita em sites de nossos parceiros, no marketplace do próprio Banco Mercantil, entre outros. E sempre com algum tipo de desconto. Isso contribuiu para aumentar a base, a carteira e os negócios", diz o CEO.

Seguros estão entre os produtos mais demandados por público 50+

Entre os produtos mais contatados pelo público-alvo do Banco Mercantil estão os seguros, seja de vida, seja seguro para Pix.

"E isso permitiu que os mais idosos começassem a usar mais essa ferramenta, que até então os amedrontava por causa dos riscos de fraudes", explica o CEO do banco.

Além disso, outra estratégia do Banco Mercantil para a conquista de novos clientes está apostando em lojas físicas.

A criação da franquia de lojas "Bem Aqui", onde o banco está terceirando a parte física do atendimento, evitando os elevados custos fixos atrelados a abertura de agências próprias. Hoje já são mais de 30 lojas em três estados, onde esse modelo está sendo testado.

"O digital é importante, mas para esse tipo de público o físico é fundamental", salienta Araújo.

Produtos que poderiam mudar o mercado de crédito no Brasil

Na Europa, onde os idosos já são a maioria relativa, existem uma série de produtos como o "Empréstimo reverso para imóveis", onde o proprietário vende a casa para uma instituição financeira mantendo o direito de morar no local até falecer.

Questionado sobre a possibilidade de introduzir esse tipo de produto no Brasil, Araújo disse que o banco chegou a estudar essa possibilidade, mas que a legislação brasileira não permite ainda esse tipo de transação.

"Hoje, 70% das casas brasileiras são de propriedade de pessoas com mais de 50 anos. Todavia, por questões regulatórias e até culturais não vemos a possibilidade de introduzir esse produto no curto prazo", explicou o CEO do Banco Mercantil.

Acompanhe tudo sobre:Banco Mercantil do Brasil

Mais de Invest

iFood bate novo recorde diário com mais de 22 milhões de pedidos em um fim de semana

Alta do ouro leva bancos na China a impor limites para operações

Ibovespa perde os 178 mil pontos e cai 0,95% na semana com guerra e juros

Dólar fecha a R$ 5,31 e sobe 1,34% na 2ª semana do conflito no Irã