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Senado dos EUA confirma Kevin Warsh como próximo presidente do Fed

Warsh já vai comandar reunião de junho sobre taxa de juros, marcada para a próxima semana

Kevin Warsh: novo presidente do Federal Reserve

Kevin Warsh: novo presidente do Federal Reserve

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 13 de maio de 2026 às 16h20.

Kevin Warsh foi aprovado pelo Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 13, para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed, banco central americano). As informações foram divulgadas pela CNBC.

A confirmação encerra um processo de meses para definir o sucessor de Jerome Powell, que presidia o Fed desde 2018 e deixa o cargo ao fim desta semana.

Warsh, de 56 anos, recebeu 54 votos favoráveis e 45 contrários em uma votação marcada por forte divisão partidária. O democrata John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único integrante do partido a apoiar o nome indicado por Donald Trump.

Em nota, o deputado republicano French Hill afirmou que Warsh tem defendido uma atuação mais disciplinada do Fed no combate à inflação e na preservação da estabilidade de preços. Segundo ele, a prioridade do novo presidente deverá ser restaurar a confiança na economia americana.

Warsh disputou a indicação com outros nomes ligados ao Fed, entre eles os atuais diretores Christopher Waller e Michelle Bowman.

Essa será a segunda passagem de Warsh pelo banco central. Entre 2006 e 2011, ele integrou o conselho do Fed durante a crise financeira global desencadeada pelo colapso do mercado de hipotecas subprime.

Na época, participou das discussões sobre as medidas emergenciais adotadas para sustentar a economia, incluindo o programa de compra de ativos conhecido como “flexibilização quantitativa”. Posteriormente, Warsh afirmou que a expansão do balanço do Fed naquele período foi excessiva.

Warsh chega com desafios

O novo presidente do Fed passa a liderar o banco central americano em um momento de forte pressão política por cortes de juros e de persistência da inflação acima da meta oficial

Ao longo do processo, Trump deixou claro que espera uma postura mais favorável à redução das taxas de juros. O presidente vinha criticando Powell por manter uma política monetária considerada rígida demais pela Casa Branca.

A chegada de Warsh ocorre, porém, em um cenário econômico mais desafiador. Dados recentes mostraram aceleração da inflação e aumento das pressões sobre os preços, o que diminuiu as apostas do mercado em cortes de juros nos próximos meses.

Alguns investidores passaram inclusive a considerar a possibilidade de uma nova alta das taxas ainda neste ano.

Desde que deixou a instituição, Warsh passou a atuar como professor da Stanford School of Business e membro de conselhos corporativos, além de manter uma postura crítica em relação à condução da política monetária americana.

Em entrevista à CNBC no ano passado, chegou a defender uma “mudança de regime” no Federal Reserve.

A primeira reunião comandada por Warsh à frente do Comitê de Política Monetária americano (Fomc, na sigla em inglês) está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

Segundo a CNBC, ele também se tornará o presidente mais rico da história do Federal Reserve, com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Pelas regras atuais de ética do banco central, terá de vender parte relevante de seus investimentos ao assumir o cargo.

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