Copa do Mundo 2026: aumento no consumo de bebidas
Colaboradora na Exame
Publicado em 23 de maio de 2026 às 09h00.
A Copa do Mundo de 2026 começa em poucas semanas, mas, para algumas empresas de bebidas da América Latina, os efeitos do campeonato já começaram a aparecer nas projeções do mercado. Um levantamento global do Citi sobre hábitos de consumo durante a competição coloca Brasil e México no centro da relação entre futebol, cerveja e refrigerantes, criando um cenário considerado especialmente favorável para companhias como Ambev, Coca-Cola FEMSA (KOF) e Arca Continental.
A pesquisa, conduzida pelo Citi Research Innovation Lab com 1.800 consumidores em sete países, analisou como os torcedores pretendem assistir aos jogos, quanto esperam gastar e quais hábitos de consumo devem mudar durante o evento.
Se o futebol já costuma movimentar vendas de cerveja no Brasil, a Copa tende a amplificar esse comportamento. Segundo o Citi, 58% dos consumidores brasileiros afirmam que pretendem aumentar o consumo de álcool durante o os jogos, acima da média global de 50%. O dado mais relevante, porém, está na intensidade: 26% dizem que vão beber “significativamente mais”, o maior percentual entre todos os países pesquisados.
A cerveja aparece como protagonista absoluta. Entre os brasileiros, 73% afirmam que pretendem consumir cerveja durante o campeonato, acima da média global de 64%.
O nível de engajamento com a Copa também chama atenção. Quase todos os entrevistados no Brasil (99%) afirmam que vão assistir às partidas ao vivo, seja pela TV ou streaming. E esse consumo acontece de forma altamente social: 83% pretendem ver os jogos em casa com amigos e familiares, enquanto 43% dizem que devem acompanhar partidas em bares e restaurantes — percentual superior à média global de 35%.
Os brasileiros estimam gastar, em média, US$ 121 adicionais por semana com alimentos e bebidas durante o campeonato, acima da média global de US$ 115. Além disso, 57% afirmam que pretendem “relaxar” hábitos alimentares durante a Copa.
Apesar da liderança da Heineken na intenção de consumo de cerveja no Brasil, com 40% das menções no levantamento, o Citi avalia que o cenário de 2026 deve ser um dos mais favoráveis dos últimos anos para a Ambev. Somadas, Brahma, Corona e Skol representam 36% da preferência dos consumidores brasileiros.
Outro ponto destacado pelo Citi é o calendário da competição. Diferentemente da Copa de 2022, no Catar, o campeonato deste ano terá partidas em horários considerados muito mais favoráveis para o consumo no Brasil, concentradas entre a tarde e a noite. Historicamente, jogos nesse intervalo impulsionam consumo em bares, restaurantes e encontros em casa.
Além disso, o banco destaca um calendário de feriados mais favorável entre 2025 e 2026, com maior número de datas próximas a fins de semana prolongados, o que tende a ampliar ocasiões de socialização e consumo.
Nesse contexto, o Citi descreve a Ambev como a beneficiária “mais óbvia” das tendências ligadas ao futebol na América Latina.
Se no Brasil o destaque está na cerveja, no México o cenário se mostra especialmente favorável para refrigerantes. Segundo a pesquisa, 77% dos consumidores mexicanos afirmam que pretendem consumir refrigerantes durante os jogos — o maior percentual entre todos os países avaliados. Além disso, 59% dizem que vão flexibilizar hábitos alimentares durante a Copa, também o maior índice da pesquisa.
O ambiente favorece diretamente a Coca-Cola FEMSA (KOF) e a Arca Continental, duas das maiores engarrafadoras da bebida na região.
A Coca-Cola lidera com folga a preferência dos consumidores mexicanos: 55% dos entrevistados apontam a marca como favorita, muito acima da Pepsi, com 10%.
Para o Citi, a posição de país-sede adiciona uma camada extra de potencial ao México, já que o torneio tende a impulsionar fluxo turístico, consumo em pontos de venda físicos e demanda em bares e restaurantes.
Entre as empresas analisadas, a Arca Continental aparece em uma posição particularmente estratégica. A companhia opera tanto no México quanto nos Estados Unidos, países-sede da Copa ao lado do Canadá, o que garante exposição simultânea a dois dos principais mercados consumidores do campeonato.
Nos EUA, onde a maior parte dos jogos será realizada, os refrigerantes também aparecem com forte intenção de consumo, com 52% dos entrevistados afirmando que pretendem consumi-los durante a competição, ampliando o potencial de demanda durante o evento.
O Citi avalia que a Arca Continental chega à Copa de 2026 em posição operacional mais sólida, com operações integradas no México, maior sofisticação em precificação e impactos tributários sendo absorvidos melhor do que o esperado pelo mercado.
A Coca-Cola FEMSA (KOF) também aparece bem posicionada na leitura do Citi. Além da forte exposição ao México e ao Brasil — dois mercados altamente engajados com futebol —, a companhia deve se beneficiar do aumento das campanhas globais da Coca-Cola ligadas ao torneio, em um momento de consumo aquecido e maior visibilidade para a marca.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história da FIFA. O campeonato terá 48 seleções e 104 partidas, contra 32 equipes e 64 jogos na edição de 2022. A competição acontece entre 11 de junho e 19 de julho e será sediada por Estados Unidos, México e Canadá.
Segundo estimativas da FIFA citadas pelo Citi, cerca de 6,5 milhões de pessoas devem comparecer aos eventos relacionados à Copa, sendo aproximadamente 40% turistas internacionais.
A projeção é de US$ 13,9 bilhões em gastos de visitantes e impacto de US$ 40,9 bilhões no PIB dos países envolvidos.