Ações da C&A: alta nesta sexta, 9, não foi suficiente para a atenuar as perdas na quarta, 7, e, principalmente, na segunda, 5 (C&A/Divulgação)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 19h39.
As ações da C&A (CEAB3) lideraram as quedas do Ibovespa na semana encerrada nesta sexta-feira, 9, com desvalorização de 13,05%, em meio a preocupações do mercado com o desempenho da varejista no quarto trimestre. A cotação do papel passou de R$ 12,41, no primeiro pregão de 2026, na sexta, 2, para R$ 10,79.
Hoje, quando principal índice acionário da B3 avançou 0,27% e fechou a semana com alta de 1,76%, as ações da C&A também subiram 1,03%, mas a alta não foi suficiente para a atenuar as perdas na quarta, 7, e, principalmente, na segunda, 5.
Na ocasião, a varejista caiu 15,71% em meio a boatos de que a companhia teria sinalizado ao sellside um quarto trimestre mais fraco que o esperado. No dia seguinte, relatórios de bancos também apontaram um cenário mais fraco para as vendas no período, especialmente em dezembro.
O UBS revisou suas projeções para a companhia após incorporar sinais de um desempenho abaixo do esperado no fim de 2025. O banco afirmou esperar vendas “decepcionantes” no quarto trimestre, diante de um ambiente mais desafiador para o varejo de moda.
Como resultado, a instituição reduziu em cerca de 10% as estimativas de lucro líquido, passando a projetar R$ 511 milhões em 2026 e R$ 566 milhões em 2027. O banco também cortou o preço-alvo da ação de R$ 23 para R$ 20, mas manteve, no entanto, a recomendação de compra.
Segundo o UBS, a revisão reflete principalmente o tráfego mais fraco nos shoppings em dezembro, período crucial para o setor por conta do Natal. Dados da consultoria Virtual Gate apontam queda de 9% na circulação de consumidores em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Com isso, o banco passou a projetar vendas comparáveis estáveis no quarto trimestre, após crescimento de 8,1% no terceiro trimestre.
“O desempenho do CEAB se manteve estável em outubro, mas houve uma deterioração sequencial em novembro, devido ao clima adverso, e um dezembro decepcionante, em meio a tráfego mais lento e à falta de variedade de produtos mais acessíveis”, afirmou o UBS no relatório.
A C&A também figurou entre os destaques negativos em análise do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), que projeta vendas praticamente estagnadas, avanço de apenas 1% na receita de vestuário, vendas em mesmas lojas estáveis e retração da margem Ebitda.
Outro ponto de pressão destacado pelo UBS é o aumento da intensidade promocional no varejo, tanto no ambiente online — com plataformas como Amazon, Mercado Livre e Shopee — quanto nas lojas físicas, com a ampliação de eventos promocionais, o que tende a pressionar o consumo discricionário.
Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, o UBS avalia que a companhia segue com sólida geração de fluxo de caixa livre, apoiada no controle de despesas gerais, administrativas e de vendas, além do processo de desalavancagem do balanço.
A expectativa é que a C&A tenha encerrado o quarto trimestre com posição de caixa líquido de R$ 26 milhões, o que permite financiar investimentos em logística e reformas de lojas.
Em termos de rentabilidade, o banco projetou margens brutas de vestuário praticamente estáveis ao longo do trimestre, enquanto o bom desempenho do segmento de beleza deve contribuir para uma expansão de 100 pontos-base na margem bruta de mercadorias. Ainda assim, vendas mais fracas devem pressionar o Ebitda, com expectativa de contração de 30 pontos-base na margem Ebitda ajustada, para 23%, e um Ebitda ajustado de R$ 576 milhões.
Mesmo após os ajustes, o banco destaca que as ações seguem negociadas a múltiplos pouco exigentes, com P/L de 6,3 vezes para 2026 e 5,7 vezes para 2027, e considera que a fraqueza do quarto trimestre tem caráter cíclico, não estrutural.