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Ata do Fed, dados fiscais e Pnad Contínua: o que move os mercados

Em semana de liquidez reduzida e últimos pregões de 2025, investidores monitoram indicadores no Brasil e nos EUA

Esta terça-feira marca o último dia de negociações da B3 em 2025 (Rahel Patrasso/Reuters)

Esta terça-feira marca o último dia de negociações da B3 em 2025 (Rahel Patrasso/Reuters)

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 06h00.

A última semana de 2025 começa sob o efeito da liquidez reduzida típica dos feriados de fim de ano, mas com uma agenda econômica relevante capaz de influenciar a precificação de juros.

Em meio aos últimos pregões do ano, o principal destaque desta terça-feira, 30, é a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que deve oferecer novas pistas sobre a trajetória futura dos juros no país, enquanto indicadores domésticos ajudam a calibrar as expectativas para a economia brasileira.

A ata do Fed deve detalhar o debate entre os dirigentes do banco central americano sobre os rumos da política monetária nos EUA. No dia 10 de dezembro, a autoridade monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%, em decisão amplamente esperada pelo mercado.

À época, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, indicava que 89% das apostas apontavam para esse corte. Mas, apesar de ser o terceiro corte consecutivo, a decisão não foi unânime. Stephen Miran defendeu uma redução maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid votaram pela manutenção dos juros no intervalo anterior, entre 3,75% e 4%.

No comunicado, o Fed avaliou que a economia dos Estados Unidos segue em expansão moderada, mas destacou a desaceleração do crescimento do emprego ao longo de 2025 e uma leve alta da taxa de desemprego até setembro. A inflação, segundo o comitê, subiu desde o início do ano e permanece “um pouco elevada”.

A leitura do mercado é de que as divergências internas aumentam a chance de uma pausa no ciclo de cortes já na próxima reunião, em 28 de janeiro. Até esta segunda, 29, a ferramenta Fed Watch mostrava que 83,9% das apostas apontavam para a manutenção da taxa no patamar atual.

O que acompanhar

No Brasil, a agenda doméstica também concentra atenções. A partir das 8h, estão previstos dados fiscais, incluindo superávit orçamentário, balanço orçamentário e dívida pública.

Às 9h, o IBGE divulga a Pnad Contínua, com novos dados sobre o mercado de trabalho. Na última leitura, referente ao trimestre encerrado em outubro, a taxa de desemprego caiu para 5,4%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, após três meses de estabilidade.

Durante a tarde, às 14h, o mercado acompanha o Caged, que traz informações sobre a evolução do emprego formal no país.

Esses indicadores chegam em um momento de balanço do ano para os investidores. Até o pregão na véspera, a bolsa brasileira acumulava alta superior a 30% em 2025. O dólar, por sua vez, abriu o ano cotado a R$ 6,1624 e encerrou o último pregão a R$ 5,571, acumulando valorização de 9,6% no ano.

Esta terça-feira marca o último dia de negociações da B3 em 2025. Não haverá pregão na quarta-feira, 31, nem na quinta-feira, 1º de janeiro, com as operações sendo retomadas apenas na sexta-feira, 2.

Já as bolsas de Nova York funcionam normalmente nesta terça e fecham apenas na quinta-feira, em razão do feriado de Ano Novo.

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