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Ação da Nvidia está barata? Trajetória da Apple mostra como isso pode mudar

Apesar do forte crescimento, a fabricante de chips negocia com múltiplo inferior ao do S&P 500

Nvidia: forte geração de caixa amplia o retorno aos acionistas. (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Nvidia: forte geração de caixa amplia o retorno aos acionistas. (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 12h10.

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A Nvidia entregou mais uma rodada de números que reforça a força do ciclo de inteligência artificial (IA) e, ao mesmo tempo, abriu uma nova discussão entre investidores sobre o quanto ainda há de espaço para crescimento da fabricante de chips.

O ponto que mais chamou atenção no balanço foi a combinação entre crescimento acelerado e margens ainda excepcionalmente altas, em 75%, mesmo nível registrado nos dois trimestres anteriores. No último ciclo de baixa da indústria de chips, em 2022, a margem bruta da Nvidia chegou a 43%.

O problema apareceu na projeção para o trimestre atual, segundo dados divulgados pela Barron's. A companhia espera margem bruta de 74%, um ponto percentual abaixo do nível atual. A leitura inicial foi suficiente para alimentar a tese dos investidores mais pessimistas, e a ação chegou a cair 2,9%.

A reação, porém, mudou rapidamente depois que a companhia apresentou uma indicação pouco comum para um período tão distante.

Nvidia antecipa crescimento para 2028

Na abertura da teleconferência de resultados, a CFO da Nvidia, Colette Kress, afirmou que a empresa espera crescer, aproximadamente, 70% em receita no ano fiscal de 2028. trata-se de uma projeção limitada pela oferta.

O ano fiscal de 2028 começa em 1º de fevereiro de 2027, daqui a cinco meses. Até então, o mercado projetava uma desaceleração muito maior, para cerca de 45%. A indicação surpreendeu justamente por ter sido apresentada tão cedo, fazendo a ação subir e encerrar a quinta-feira, 27, com alta de 8,7%.

A mensagem da companhia também ajudou a explicar por que a margem deve recuar no curto prazo. Kress e o CEO Jensen Huang veem que o problema não está na capacidade da Nvidia de cobrar preços mais altos. A pressão vem da escassez de memória, que elevou os custos em ritmo sem precedentes.

Para o próximo ano, porém, a Nvidia planeja aumentar preços, o que deve levar a margem bruta novamente para uma faixa entre 72% e 73%. Embora inferior aos atuais 75%, o nível ainda seria elevado para os seus padrões históricos.

Huang também indicou que o crescimento de 70% projetado para 2028 pode ser ainda maior caso a Nvidia consiga eliminar os gargalos de oferta.

Wall Street volta a elevar as projeções

A trajetória recente das estimativas ajuda a dimensionar o quanto o mercado tem subestimado a Nvidia desde o início do boom da IA. Na metade do ano fiscal de 2027, a previsão média de receita para o ano já havia aumentado 23% desde o começo do exercício.

As estimativas para o lucro por ação ajustado avançaram 19% no mesmo período. E a nova projeção para 2028 provocou outra rodada de revisões entre os analistas. Dos 60 profissionais acompanhados pela FactSet, 39 publicaram novas análises nas 24 horas seguintes ao balanço.

A estimativa média de lucro por ação ajustado para 2028 passou de US$ 12,81 para US$ 14,86, alta de 16%. Com a revisão dos lucros, a relação entre preço e lucro projetada para o ano fiscal de 2028 caiu de 16 para 15 vezes. O múltiplo ainda pode diminuir à medida que novas casas atualizem seus modelos.

O paralelo da Nvidia com a Apple

A Nvidia, inclusive, negocia com um preço sobre o lucro (P/L) significativamente inferior ao do S&P 500. Esse múltiplo levanta uma comparação com a trajetória da Apple na década de 2010.

A empresa passou quase oito anos daquele período negociando abaixo da média do mercado antes de seu múltiplo de lucro futuro avançar de nove para 33 vezes, movimento que ajudou a adicionar trilhões de dólares ao seu valor de mercado.

Na época, a Apple também precisou enfrentar uma série de dúvidas sobre seu futuro. Entre elas estavam questões sobre a capacidade de inovar após a morte de Steve Jobs, em 2011, e sobre quanto tempo o iPhone conseguiria manter a liderança.

Também havia o argumento de que eletrônicos de consumo eram um negócio cíclico e, portanto, deveriam negociar com múltiplos menores. A própria história dos computadores era usada como referência. Apple II e Macintosh haviam criado categorias importantes, mas depois enfrentaram concorrência mais barata.

A empresa acabou encontrando novas fontes de crescimento. Sob Tim Cook, criou praticamente do zero os segmentos de serviços e wearables e também se tornou uma potência na fabricação de chips, mantendo uma trajetória de crescimento ao longo dos anos.

Nvidia começa a devolver mais dinheiro aos acionistas

A comparação com a Apple não significa, necessariamente, que a Nvidia repetirá a mesma trajetória. A fabricante de chips já ultrapassou US$ 5 trilhões em valor de mercado, tornando-se a empresa mais valiosa do mundo.

Ela também vem ampliando sua capacidade de gerar caixa. Nos seis primeiros meses do ano fiscal de 2027, a Nvidia produziu US$ 70 bilhões em fluxo de caixa livre. Desse total, US$ 45 bilhões foram destinados aos acionistas.

Para o restante do ano, os analistas esperam mais US$ 93 bilhões em fluxo de caixa livre.

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