Inteligência artificial: demanda por computação impulsiona a receita das gigantes de tecnologia. (400tmax/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 12h11.
A corrida para chegar a US$ 1 trilhão em receita anual ganhou velocidade com o avanço da inteligência artificial. Entre as gigantes de tecnologia que se aproximam do marco, Amazon pode ser a primeira a cruzar a barreira, já em 2028, segundo projeções da FactSet.
A Nvidia aparece logo atrás, de acordo com os dados divulgados pela Barron's. As estimativas para a fabricante de chips foram revisadas rapidamente após a divulgação de resultados acima do esperado nesta semana, e agora apontam para uma receita superior a US$ 1 trilhão em 2029.
Já a SpaceX, de Elon Musk, trabalha com a possibilidade de alcançar o mesmo patamar em 2030 ou até antes.
O principal combustível dessa corrida é a expansão dos investimentos em inteligência artificial (IA), que tem elevado as previsões de receita de empresas de chips, computação em nuvem e infraestrutura.
A Nvidia surpreendeu o mercado ao indicar que espera crescimento de 70% nas vendas em 2027. A projeção ficou bem acima dos cerca de 45% esperados anteriormente por Wall Street.
A revisão também mudou as contas para os anos seguintes. Há poucas semanas, analistas projetavam receita de US$ 866 bilhões para a Nvidia em 2029. Agora, a estimativa já supera US$ 1 trilhão.
De acordo com o CEO da Nvidia, Jensen Huang, o mercado de IA entrou em uma nova fase, com mais laboratórios e startups desenvolvendo modelos, além do avanço da chamada IA física.
Apesar da aceleração da Nvidia, é a Amazon que aparece com a melhor posição na disputa. A vantagem está na combinação de dois negócios de grande escala. De um lado, a operação de varejo, que deve gerar quase US$ 800 bilhões em receita em 2028.
Do outro, a Amazon Web Services (AWS), que inclui os negócios relacionados a IA. A receita da AWS é estimada em US$ 320 bilhões em 2028, contra US$ 174 bilhões projetados para 2026.
Esse porte coloca a Amazon em uma posição incomum, reunindo características de uma gigante do varejo e de uma empresa de tecnologia em nuvem. Como comparação, Walmart e Microsoft, juntas, devem registrar US$ 1,3 trilhão em vendas em 2028.
A SpaceX também elevou suas ambições. Na primeira teleconferência de resultados da companhia, em 4 de agosto, Musk afirmou que as projeções internas passaram a indicar US$ 1 trilhão em receita em 2030, ante 2031 antes previsto.
Ele vê que existe ainda uma possibilidade, embora não garantida, de o marco ser atingido em 2029. A distância para chegar lá, porém, ainda é grande.
A expectativa é que a SpaceX registre cerca de US$ 44 bilhões em vendas em 2026, avançando para US$ 100 bilhões em 2027. A IA responde por boa parte desse crescimento, com a receita relacionada à área estimada em US$ 21 bilhões em 2026 e US$ 65 bilhões em 2027.
Para 2028, analistas projetam US$ 135 bilhões em receita de IA para a SpaceX. Ainda assim, as estimativas de Wall Street são mais conservadoras do que as previsões de Musk para o crescimento de longo prazo. O empresário chegou a sugerir receita de US$ 3,5 trilhões para a companhia em 2033.
O avanço das projeções da Nvidia está diretamente ligado ao comportamento de seus clientes. Empresas de tecnologia estão ampliando rapidamente a capacidade computacional para acompanhar a corrida pela IA.
No segundo trimestre, o negócio de nuvem do Google, da Alphabet, cresceu 82% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita anualizada da Anthropic, uma das principais companhias de IA e desenvolvedora do Claude, é estimada atualmente em mais de US$ 65 bilhões, ante US$ 9 bilhões em 2025.
A demanda é tão forte que ela chegou a alugar capacidade computacional da própria SpaceX. A Anthropic pretende, ainda, abrir capital em outubro.
Na Alphabet, a carteira de contratos da divisão de nuvem chegou a US$ 514 bilhões no fim do segundo trimestre, quase quatro vezes o nível de um ano antes. O volume representa empresas garantindo antecipadamente serviços de IA para os próximos anos.
"Nossa visão de maior convicção: a demanda por capacidade computacional provavelmente superará significativamente a oferta por muitos anos", complementou o analista do Morgan Stanley, Stephen Byrd.