20th Century Fox: marca deixará de existir (20th Century Fox/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 13h12.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 13h39.
Novelinhas verticais, podcast de comédia romântica, experiência gastronômica de ator de "The Office" e setor de editora. Esses são alguns dos investimentos recentes da Fox sob o CEO Rob Wade.
Diferentemente das gigantes da indústria, que no momento estão focadas na dissolução e aquisição da Warner Bros, a Fox tem feito compras em setores diversos e curiosos, aparentemente desconexos. Mas, segundo o CEO, tudo faz parte de uma estratégia ampla, paciente e calculada.
“Não houve uma mudança repentina”, disse Wade ao ser perguntado sobre as aquisições pelo The Hollywood Reporter. “Leva tempo para implementar uma estratégia, identificar os alvos certos e então executar. É exatamente onde estamos.”
A ideia deu frutos, atualmente a Fox é uma das empresas que mais foi valorizada em Wall Street durante 2025. A empresa encerrou 2025 no maior patamar de 52 semanas, com suas ações fechando a US$ 64,93 na virada, uma alta de 37,3% no acumulado do ano, ante US$ 48,58 no fim de 2024.
A Fox vendeu em 2019 grande parte de seus ativos para a Disney, por US$ 71,3 bilhões.
Desde o negócio, a compradora se tornou um gigante global de conteúdo, com investimentos mais agressivos, como os US$ 24 bilhões para conteúdo em 2026.
Do outro lado do acordo, a nova Fox opera de forma mais enxuta.
“Nossa escala menor nos dá agilidade”, afirmou Wade. O caixa reforçado pela transação com a Disney ajuda a companhia a apostar em iniciativas segmentadas e de risco moderado, enquanto concorrentes tentam fusões bilionárias.
Diferentemente do modelo de negócios da Fox durante as últimas décadas, quando ficou conhecida pelos negócios de alto risco e rápida expansão sob a antiga geração da família Murdoch, as coisas mudaram nos últimos anos sob nova direção.
Wade, que assumiu o comando da Fox Entertainment em 2022, após carreira marcada por realities de sucesso, diz estar pronto para o próximo ciclo.
“É um momento transformador”, afirmou ao assumir o cargo. “A criatividade torna o futuro empolgante.”
Ao apostar em negócios de porte médio e baixo risco, a Fox sinaliza que prefere construir seu próprio caminho, de forma mais lenta, mas potencialmente mais segura.
A Fox firmou um acordo com um selo da editora HarperCollins. A empresa também comprou a plataforma de podcasts de comédia romântica, chamada "Meet Cute", e firmou parceria com a produtora de vídeos verticais Holywater.
Além disso, de acordo com o The Hollywood Reporter, a Fox Sports comprou parte da Shadow Lion, empresa de marketing do jogador de futebol americano Tom Brady, mais conhecido no Brasil como ex-marido de Giselle Bündchen.
Para além das compras no setor de entretenimento e cultura, uma delas é a mais intrigante. A Fox adquiriu participação na experiência gastronômica Chain, do ator e roteirista B.J. Novak, conhecido por seu papel como Ryan em "The Office".
A lógica por trás dessas compras, todas feitas em um período de quatro semanas entre outubro e novembro, é a geração de propriedade intelectual, explica Wade. “Adapte um livro infanto-juvenil para a Fox. Adapte um podcast. Até uma experiência pop-up pode virar conteúdo”, afirmou.
Sobre a Chain, ele acrescentou que “vai ser superdivertido.”
A parceria com a Holywater é a mais promissora na opinião de Wade.
A empresa, especializada em micro-novelas no formato vertical, ainda representa uma aposta de longo prazo. “Estamos em uma fase de aprendizado”, disse Wade. “Sinto que há grande potencial, mas há um longo caminho pela frente.”
O formato vertical exige mudanças culturais na produção. Wade admite que convencer talentos a filmar histórias em trechos de 90 segundos, com orçamento reduzido e aspecto de vídeo de celular, não será simples.
“Grandes estrelas de Hollywood estão acostumadas a ganhar muito dinheiro”, disse. “Mas este é um negócio de margens menores. É preciso estar confortável com isso.”
Para funcionar, explica o executivo, criadores precisam ter “ambição e paixão genuína” pelo formato. E completou: “Eles precisam ser realistas quanto aos limites desse mercado.”
A comédia, por sua vez, enfrenta mais desafios no modelo de múltiplos microcapítulos. “Drama funciona. True crime funciona. Até reality funciona. Mas sitcoms sem cliffhangers? Esse é o ponto de interrogação”, afirmou. “Talvez um programa de esquetes seja o caminho. Ainda não sei.”