Patrocinado por:
Ascenty: empresa é uma das líderes em data centers no Brasil (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 11h02.
Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 12h53.
Três empresas concentram 70% de toda a capacidade operacional de data centers do Brasil, segundo um relatório da consultoria imobiliária JLL.
A Ascenty lidera com 30% de participação de mercado, seguida pela Odata, com 20%, e pela Scala, com 18%. Juntas, Equinix e Elea Digital somam mais 18%, enquanto o restante do mercado se divide entre nomes menores, como Cirion Technologies, Tec.to, Takoda e NextStream.
Mas, segundo o estudo, esse cenário de concentração está prestes a mudar. A JLL aponta que a Scala deve assumir a liderança no país em colocation — modelo em que empresas alugam o espaço físico e a infraestrutura de um data center para instalar seus próprios servidores.
A virada deve acontecer com a inauguração de novas instalações em seu campus em Barueri, ainda no segundo semestre deste ano, desbancando Ascenty e Odata.
Olhando para os projetos entregues, em construção e planejados somados, a Scala já aparece à frente de todos os concorrentes, com mais de 800 megawatts (MW) somando essas três fases — puxada por um projeto de grande escala batizado de Scala AI City, com capacidade projetada de 1,5 gigawatt (GW), voltado especificamente a cargas de trabalho de inteligência artificial (IA).
Ascenty, Omnia e Odata seguem logo atrás, todas com pipelines superiores a 480 MW. Entre os nomes que despontam com grandes projetos futuros estão a Elea Digital, com capacidade planejada superior a 400 MW, e a Tec.to, com mais de 300 MW no radar.
Por trás dessa disputa entre os provedores de colocation está a demanda crescente das hyperscalers — grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Google e Amazon Web Services (AWS), que processam volumes massivos de dados e treinam modelos de IA.
Segundo a JLL, essas companhias adotam uma estratégia dupla, alugando capacidade de operadores estabelecidos e, ao mesmo tempo, construindo instalações próprias.
O volume de capacidade alugada de provedores de colocation por hyperscalers cresceu 64% desde 2025, alcançando um novo patamar recorde no primeiro semestre deste ano.
Esse crescimento acelerado esbarra em um problema estrutural: a disponibilidade de energia.
A construção de data centers de grande escala depende de acesso garantido à rede elétrica, e a concentração histórica desses empreendimentos no Sudeste já pressiona a infraestrutura local — o que tem levado parte dos novos projetos de maior porte a buscar regiões com energia excedente, como o Nordeste, hoje um dos maiores polos de geração eólica e solar do país.
A JLL cita a infraestrutura de energia, junto à cadeia de suprimentos e os prazos de construção, como um dos principais riscos capazes de atrasar o cronograma de expansão do setor nos próximos anos.
Esse apetite crescente é também o que deve, segundo a consultoria, redesenhar o atual equilíbrio de forças do setor.
A chegada de novos operadores com projetos de grande escala, somada à expansão acelerada dos líderes já estabelecidos, deve tornar o mercado brasileiro de data centers mais competitivo e menos concentrado nos próximos anos — mesmo que, por ora, apenas três nomes ainda controlem a maior parte da capacidade instalada do país.
O movimento carrega um peso econômico que vai além da disputa entre operadoras.
Cada novo data center de grande escala representa capital estrangeiro entrando no país, geração de empregos na construção civil e na operação técnica, e mais um passo do Brasil na direção de se consolidar como o principal hub de infraestrutura digital da América Latina — uma corrida que, hoje, tem tanto a ver com metros quadrados de servidor quanto com megawatts de energia disponível.