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Data centers: espaços devem dobrar no Brasil em quatro anos (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 11h01.
O mercado brasileiro de data centers deve dobrar de tamanho até 2030, segundo a consultoria imobiliária JLL.
O Brasil fechou o primeiro semestre deste ano com 706 megawatts (MW) de capacidade instalada — um crescimento de mais de seis vezes desde 2012, equivalente a uma taxa composta de 15% ao ano — e tem outros 660 MW em construção, 56% deles já pré-comprometidos por clientes antes mesmo de ficarem prontos.
A taxa de vacância do setor está em apenas 4% no país, com a ocupação batendo 96% no primeiro semestre.
Nos mercados mais consolidados, a disputa por espaço é ainda mais acirrada. São Paulo & Barueri e Campinas — os dois maiores polos do país, com 269 MW e 316 MW de capacidade, respectivamente — operam com vacância de apenas 6% e 1%.
Segundo a JLL, a projeção é que esse cenário de oferta apertada persista até 2030, mesmo com o volume expressivo de nova capacidade a caminho.
Enquanto São Paulo segue como o principal polo de demanda do país, cidades como Fortaleza despontam como alternativas emergentes.
O Ceará já soma 19 MW de capacidade instalada e lidera o volume de projetos em construção entre os mercados regionais, com boa parte do pré-comprometimento puxado por um único projeto sob medida (built-to-suit). É lá que será construído o maior complexo de data centers do Brasil e da América Latina, da ByteDance, destinado a atender às operações globais do TikTok fora da China.
Segundo a JLL, a instabilidade de infraestrutura de energia, cadeia de suprimentos e prazos de construção seguem como riscos capazes de atrasar cronogramas nesses mercados em expansão.
O setor brasileiro é hoje dominado por três provedores: Ascenty (30% de participação), Odata (20%) e Scala (18%).
Esse cenário deve mudar ainda neste semestre, já que a Scala está prestes a assumir a liderança do mercado com a inauguração de novas instalações em seu campus em Barueri, segundo a JLL.
Ao mesmo tempo, novos operadores entram com projetos de grande escala, intensificando a competição em um setor até então concentrado.
As hyperscalers (gigantes de tecnologia que operam data centers em escala massiva) seguem como principais clientes dos provedores de colocation, com uma estratégia dupla de alugar capacidade de terceiros e construir instalações próprias.
O volume de capacidade alugada de provedores de colocation por essas empresas cresceu 64% desde 2025, segundo a JLL.
Segundo o levantamento, o Brasil se consolidou como líder do mercado de data centers da América Latina, concentrando cerca de metade de toda a capacidade da região — resultado direto do tamanho da economia e da população do país.
Entre as vantagens citadas pela JLL estão a disponibilidade de terrenos, o acesso a energia limpa e barata, e uma extensa infraestrutura de cabos submarinos, com pontos de chegada em Fortaleza, Rio de Janeiro e Santos, que conectam o país diretamente à América do Norte, à Europa e à África com baixa latência.
Um fator de incerteza, no entanto, ainda pesa sobre o setor: o incentivo fiscal do Redata, criado para reduzir a carga tributária sobre equipamentos de tecnologia importados por data centers, segue pendente de aprovação — um ponto que a JLL cita como parte do ambiente regulatório que o mercado brasileiro ainda precisa destravar para sustentar o ritmo de expansão projetado até o fim da década.