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Aravind Srinivas, cofundador e CEO da Perplexity (Kimberly White/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 12h59.
Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 17h48.
Um estudo da Haus Research avaliou as citações do Perplexity em 310 perguntas sobre empresas de tecnologia e encontrou falhas frequentes: 34,7% das citações numéricas não abriam ou não comprovavam a informação apresentada. Os pesquisadores destacam que o problema não é apenas link quebrado, mas fontes que não sustentam exatamente a afirmação feita pela IA.
A promessa central de buscadores de inteligência artificial (IA) como o Perplexity é diferente da de um chatbot comum: em vez de só responder, eles citam a fonte, dando ao usuário como conferir se a informação é verdadeira. Mas, segundo um estudo da consultoria americana Haus Research, na maioria dos casos, o link citado não prova o que deveria provar.
A pesquisa, fez 310 perguntas factuais sobre 210 empresas de tecnologia aos dois modelos de busca do Perplexity, o sonar e o sonar-pro, usando um serviço que dá acesso a esses modelos por fora do aplicativo do Perplexity.
As perguntas cobriam dados objetivos e checáveis: ano de fundação, valor da última rodada de investimento, número de funcionários, preço do plano de entrada, sede, receita, incidentes de segurança já divulgados, CEO atual, aquisições e o nível de disponibilidade prometido nos planos pagos.
Os pesquisadores coletaram todas as fontes citadas nas respostas, abriram cada uma delas e verificaram se a página realmente continha o número mencionado na frase a que estava associada.
Do total de 1.826 citações ligadas a uma frase com algum dado numérico, 34,7% apontavam para uma página que não abria ou que, ao abrir, não trazia nenhum dos números citados. Contando por afirmação, e não por citação isolada, já que muitas frases têm mais de uma fonte, a taxa de falha cai para 14,4% de 872 afirmações analisadas.
O problema não é, na maioria dos casos, um link fora do ar. Apenas 1,3% das URLs citadas estavam mortas. As duas categorias mais comuns foram páginas que o leitor comum não consegue acessar, por estarem atrás de login, paywall ou bloqueio automático contra robôs, o que aconteceu com 16,1% das citações, e páginas que abrem normalmente, mas simplesmente não contêm a informação citada.
O exemplo mais direto envolve preço. Ao ser perguntado sobre o plano de entrada da Vercel, empresa de infraestrutura para desenvolvedores, o modelo sonar respondeu que o plano gratuito custa "US$ 0 por mês, então o primeiro plano pago começa em US$ 20 por mês", citando a página oficial de planos da empresa.
Os pesquisadores verificaram a página no momento da checagem: ela carrega normalmente, lista os planos, mas em nenhum lugar aparece o valor de US$ 20. O número até pode estar certo, mas a citação não prova isso.
Um padrão mais revelador aparece nas perguntas sobre sede das empresas. Em vários casos, os modelos informaram um endereço completo, com número e CEP, atribuindo a informação ao artigo da empresa na Wikipédia.
Ao conferir os artigos de quatro empresas diferentes, entre elas a Docker e a Substack, os pesquisadores não encontraram o endereço citado em nenhum deles. Algumas das próprias respostas chegavam a admitir que "vários diretórios de negócios listam" aquele endereço, mas ainda assim citavam a Wikipédia como fonte.
A taxa de acerto varia bastante conforme o tipo de pergunta. Perguntas sobre quem é o CEO atual de uma empresa tiveram a pior taxa de confirmação, de apenas 44,3%, seguidas por perguntas sobre o endereço da sede, com 53%.
No outro extremo, perguntas sobre número de funcionários acertaram a fonte em 82% dos casos, e sobre ano de fundação, em 75%.
Segundo os pesquisadores, o padrão faz sentido, já que dados como número de funcionários costumam estar em campos estruturados de páginas feitas justamente para guardar esse tipo de informação, enquanto fatos como a data exata em que um executivo assumiu o cargo raramente são publicados de forma clara em algum lugar, mesmo sendo repetidos com frequência.
Nesses casos, o modelo tende a reproduzir o que já é de conhecimento geral e, em seguida, associa a afirmação a uma fonte que nunca trouxe aquele dado específico.
O estudo também comparou o modelo pago mais avançado do Perplexity com a versão padrão e não encontrou diferença relevante entre os dois: o sonar acertou a citação em 65,9% das afirmações numéricas, contra 64,7% do sonar-pro, uma diferença dentro da margem de erro.
Como controle, os pesquisadores testaram também o GPT-4.1, da OpenAI, com um plugin de busca, mas esse modelo cita muito menos fontes por resposta e não numera as citações dentro do próprio texto, o que tornou impossível fazer o mesmo tipo de checagem frase a frase.
Outro achado do estudo diz respeito a quem é mais citado. Do total de fontes usadas pelo sonar, 23,4% apontavam para o próprio site da empresa mencionada, e 23,1% eram diretórios de negócios ou plataformas de dados corporativos, como PitchBook, ZoomInfo e Crunchbase.
Justamente essas páginas de diretório foram as menos duráveis do levantamento: apenas 66% delas continuavam acessíveis no momento da checagem, contra 78,7% do total de citações.
Ao cruzar uma amostra de 1.500 links citados com o Wayback Machine, arquivo histórico de páginas da internet mantido pela organização sem fins lucrativos Internet Archive, os pesquisadores descobriram que 25,1% dessas páginas nunca haviam sido salvas em nenhum momento da própria existência.
Entre as páginas de diretório e geração de leads, a proporção sobe para quase 40%. Na prática, isso significa que, quando uma dessas páginas sai do ar, não sobra nenhuma cópia para conferir depois se a citação um dia esteve correta.
Os autores do estudo fazem questão de destacar os limites da própria pesquisa: é um retrato de um único dia, 2 de setembro, sem repetição ao longo do tempo, cobre só perguntas em inglês sobre empresas de tecnologia, e os testes foram feitos por uma via técnica diferente da usada pelo aplicativo comum do Perplexity, o que pode tornar os resultados um pouco piores do que os que um usuário comum encontraria.
Não. Segundo estudo da Haus Research, parte das citações usadas pelo Perplexity não comprovava a informação apresentada na resposta. Em 34,7% das citações ligadas a dados numéricos, a página citada não abria ou não continha o número mencionado.
Os pesquisadores fizeram 310 perguntas factuais sobre 210 empresas de tecnologia aos modelos sonar e sonar-pro do Perplexity. Depois, abriram as fontes citadas e verificaram se cada página realmente sustentava a informação associada à citação.
Não. Apenas 1,3% das URLs analisadas estavam fora do ar. Os problemas mais comuns foram páginas inacessíveis por login ou bloqueios e páginas que abriam normalmente, mas não continham a informação citada pela IA.
Segundo o estudo, perguntas sobre CEOs atuais tiveram a menor taxa de confirmação da fonte, com 44,3% de acerto. Informações sobre endereço de sede tiveram 53% de confirmação. Já número de funcionários e ano de fundação tiveram desempenho melhor, com 82% e 75%, respectivamente.
Segundo os pesquisadores, o modelo pode reproduzir uma informação conhecida e associá-la a uma fonte relacionada ao tema, mas que não contém aquele dado específico. Isso acontece principalmente com informações que não estão organizadas em páginas estruturadas.
No estudo, não houve diferença relevante entre os dois modelos. O sonar teve 65,9% de confirmação das citações numéricas, enquanto o sonar-pro teve 64,7%, uma diferença considerada dentro da margem de erro.
Segundo o levantamento, 23,4% das fontes citadas vinham dos próprios sites das empresas analisadas, enquanto 23,1% eram diretórios ou plataformas de dados corporativos, como PitchBook, ZoomInfo e Crunchbase.
Não. Os pesquisadores afirmam que o estudo não mediu se a resposta final estava correta, mas se a fonte apresentada funcionava como prova da afirmação feita. A análise também teve limitações, como perguntas apenas em inglês sobre empresas de tecnologia e uma coleta realizada em um único dia.