Patrocinado por:
Deepfakes disparam 308% e exigem atenção: como reconhecer um vídeo falso nas eleições (Magnific)
Jornalista
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 16h54.
Um vídeo que parece mostrar um candidato fazendo uma declaração pode ter sido completamente fabricado. Com ferramentas de inteligência artificial, é possível reproduzir voz, aparência e movimentos de uma pessoa com alto grau de realismo.
O alerta ganhou força no Brasil. Segundo o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa, conteúdos falsos produzidos com IA passaram de 39 casos em 2024 para 159 em 2025, um crescimento de 308%. O levantamento analisou conteúdos verificados pela Agência Lupa nos dois anos.
Nas eleições, o problema pode envolver vídeos, áudios, imagens e até conteúdos que simulam reportagens. Em 2024, o Digital Forensic Research Lab (DFRLab) identificou 78 casos confirmados ou alegados de deepfakes relacionados a candidatos nas eleições municipais brasileiras.
Deepfake é um conteúdo sintético criado ou manipulado com inteligência artificial ou tecnologia equivalente para reproduzir ou alterar a imagem, a voz ou uma manifestação de uma pessoa.
Em setembro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu que, para as eleições deste ano, o conceito envolve conteúdos com grau de realismo ou verossimilhança capazes de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de pessoas vivas, falecidas ou fictícias.
Não existe um único sinal capaz de confirmar que determinado conteúdo foi produzido por IA. A verificação deve considerar o material, sua origem e informações disponíveis sobre o suposto acontecimento.
Alguns procedimentos ajudam:
No caso de áudios, a tarefa pode ser ainda mais difícil. Um levantamento do German Marshall Fund identificou o áudio gerado por IA em 69% dos deepfakes eleitorais acompanhados em seu monitoramento internacional.
O TSE determina que propagandas eleitorais que utilizem conteúdo sintético multimídia gerado ou alterado por IA devem informar isso de maneira explícita e acessível. A regra vale para textos, áudios, vídeos e imagens, conforme o formato utilizado.
A regulamentação também estabelece restrições específicas para deepfakes usados para favorecer ou prejudicar candidaturas. Além disso, novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas não podem ser publicados, republicados ou impulsionados no período entre 72 horas antes e 24 horas depois do pleito, mesmo quando rotulados.
Para quem trabalha, reconhecer conteúdos manipulados não é apenas uma questão eleitoral. Deepfakes podem circular em grupos profissionais, redes sociais e aplicativos de mensagens, associados a empresas, executivos, especialistas ou instituições.
Antes de reproduzir uma informação potencialmente relevante, verificar origem, contexto e confirmação independente reduz o risco de compartilhar um conteúdo fabricado como se fosse verdadeiro.
O avanço das ferramentas de geração de conteúdo torna a alfabetização digital mais relevante para profissionais que lidam diariamente com informação. Entender como a inteligência artificial cria e modifica conteúdos também ajuda a reconhecer seus limites e possibilidades.
O objetivo não é memorizar características de um deepfake, mas desenvolver o hábito de verificar antes de compartilhar. Ferramentas de IA continuam evoluindo e sinais visuais que hoje ajudam a identificar manipulações podem se tornar menos evidentes.
Em paralelo, órgãos eleitorais e plataformas digitais adotam mecanismos próprios para identificar e limitar conteúdos manipulados. No Brasil, o TSE mantém regras específicas para conteúdos sintéticos e sistemas de denúncia relacionados à desinformação eleitoral.
Nas eleições de 2026, a combinação entre ferramentas de inteligência artificial mais acessíveis, circulação rápida nas redes e regras específicas torna a checagem da origem de um conteúdo uma etapa importante antes de considerar uma informação verdadeira.