Inteligência Artificial

OpenAI quer encerrar o período de 'alerta vermelho' com novo lançamento

Modelo 5.2 deve ser apresentado nesta semana como resposta ao alerta máximo declarado por Sam Altman após queda no ranking de desempenho e perda de usuários para o Gemini

Sam Altman: CEO da OpenAI

Sam Altman: CEO da OpenAI

Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 10h52.

A OpenAI deve lançar nesta semana – possivelmente ainda nesta terça-feira, 9 – uma nova versão do ChatGPT, chamada 5.2, em resposta direta ao avanço do Google no mercado de inteligência artificial. A medida faz parte de um plano emergencial definido pelo CEO Sam Altman, que declarou “código vermelho” após o lançamento, em 18 de novembro, do Gemini 3.

Entre os fatores que motivaram o alerta máximo, estão a queda de posição no ranking independente LM Arena, usado como referência de desempenho entre modelos de linguagem, e o crescimento da rival Anthropic no segmento corporativo. A criadora do Claude também projeta atingir a lucratividade já em 2028 – dois anos antes da OpenAI – e tenta se antecipar na abertura de capital (IPO, na sigla em inglês).

Em relação ao Google, o sinal de alerta vem se intensificando nos últimos meses. No final de agosto, o modelo gerador de imagens Nano Banana foi lançado e rapidamente viralizou. Duas semanas e 23 milhões de novos usuários depois, o Gemini superou o ChatGPT como o mais baixado na App Store dos EUA. Em outubro, a OpenAI acionou o “código laranja”, que foi elevado a vermelho em novembro, com o lançamento do Gemini 3.

A resposta da OpenAI envolveu interromper projetos paralelos por até oito semanas, como ferramentas de publicidade e o gerador de vídeos Sora, para concentrar esforços no aprimoramento do ChatGPT. A ordem interna, segundo o Wall Street Journal, inclui maior uso de user signals, como cliques de aprovação, em vez de avaliações feitas por especialistas.

Essa abordagem impulsionou a adoção do modelo 4o, mas também gerou críticas por reforçar respostas imitativas e, em casos extremos, acentuar crises de saúde mental entre usuários. Agora, em vez de perseguir o ideal da inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) para “beneficiar toda a humanidade”, como em sua fundação, a prioridade é recuperar a preferência dos usuários e conter o avanço do Google.

O GPT-5, lançado em agosto, trouxe melhorias em segurança, com menos propensão a reforçar delírios ou dependência emocional. Ao mesmo tempo, foi criticado pela eliminação de versões anteriores e por mudanças no tom do chatbot. Nesse cenário, a OpenAI liberou o acesso aos modelos prévios para usuários pagos e está devolvendo parte do controle a eles, que já podem escolher a “personalidade” com a qual querem interagir.

Apesar de ter sido superado no LM Arena, o ChatGPT mantém a liderança em número de usuários, com 800 milhões de ativos semanais. No entanto, enquanto a audiência da OpenAI caiu 6% em novembro, o Gemini cresceu 40% e já soma 650 milhões de usuários mensais, segundo dados da SimilarWeb.

Fim do “código vermelho”?

De acordo com reportagem do Wall Street Journal, Sam Altman avalia que a OpenAI conseguiu mitigar os piores aspectos relacionados à estratégia recente, apostando agora em uma personalização mais segura e eficiente para aumentar o engajamento. Além disso, espera-se que a nova versão dê fôlego à empresa na disputa com a Anthropic no segmento de negócios e desenvolvedores.

Executivos da OpenAI preveem encerrar o “código vermelho” após o lançamento de outro modelo em janeiro, o qual deve deve trazer melhorias em imagens, velocidade e uma “personalidade” ajustada.

Internamente, o esforço para aumentar a popularidade do ChatGPT gera tensão entre duas frentes: a equipe de produto, liderada por Fidji Simo, ex-Meta, que defende melhorias de usabilidade, e o grupo técnico, voltado para pesquisas de longo prazo como a AGI. A liderança acredita que ampliar a base de usuários pode ser o caminho mais viável para distribuir os ganhos futuros da AGI, mesmo que isso exija priorizar soluções de curto prazo.

Apesar da ameaça do Google e da corrida por usuários, Altman acredita que o desafio a longo prazo virá da Apple. Por meio de uma parceria com Jony Ive, designer responsável pelo iPhone, a OpenAI pretende entrar no setor de hardware. Segundo o CEO, dispositivos serão determinantes no uso cotidiano de IAs – e os celulares atuais, na sua visão, não estão prontos para isso.

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