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Vagas que exigem inteligência artificial disparam no Brasil; veja onde estão as oportunidades (Imagem gerada por IA)
Jornalista
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16h41.
A inteligência artificial deixou de aparecer apenas em vagas de tecnologia. No Brasil, empresas de diferentes setores passaram a incluir conhecimentos relacionados à tecnologia entre as habilidades procuradas em processos seletivos.
Segundo o Barômetro Global de Empregos em IA 2025, da PwC, o número de anúncios de emprego no país que exigiam habilidades relacionadas à IA passou de 19 mil, em 2021, para 73 mil, em 2024. O levantamento analisou quase 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes.
O crescimento não está concentrado em uma única indústria. No levantamento da PwC, o agronegócio apresentou a maior expansão proporcional entre os setores brasileiros analisados.
Entre 2021 e 2024, as vagas do agro classificadas como “aumentadas”, nas quais a IA auxilia o profissional, cresceram mais de 600%. Já as funções consideradas automatizáveis avançaram mais de 400%. A PwC relaciona o movimento ao avanço de tecnologias como agricultura de precisão e agricultura inteligente.
O atacado e o varejo também aparecem entre os setores com forte crescimento. As vagas com tarefas classificadas como automatizáveis pela IA aumentaram 300% no período. A expansão do comércio eletrônico e de soluções de atendimento baseadas em tecnologia está entre os fatores apontados pela PwC.
Na prática, isso significa que a demanda não se limita a engenheiros ou cientistas de dados. Um profissional de marketing, finanças, vendas, operações ou atendimento também pode encontrar vagas nas quais saber utilizar ferramentas de IA é um diferencial ou requisito.
Embora outros setores estejam avançando, informação e comunicação continua sendo uma das áreas com maior presença de habilidades de IA nos anúncios de emprego.
De acordo com a análise brasileira da PwC, 4,2% das vagas do setor exigiam habilidades relacionadas à IA em 2024. Atividades profissionais, científicas e técnicas também apresentaram crescimento, chegando a 1,5% dos anúncios.
O cenário também aparece nas plataformas de emprego. Em uma consulta recente ao LinkedIn, havia mais de 5 mil vagas relacionadas a inteligência artificial no Brasil, incluindo posições em bancos, varejo, indústria, saúde, energia, agronegócio e tecnologia.
A mudança, portanto, não está apenas na quantidade de vagas, mas também no tipo de profissional procurado.
Um dos principais efeitos da expansão da IA é a mudança no conjunto de competências exigidas pelas empresas.
O Barômetro da PwC mostra que, no Brasil, ocupações mais expostas à IA apresentaram uma mudança de habilidades 135% maior entre os grupos mais e menos expostos. Isso indica que os requisitos das vagas estão sendo atualizados com maior velocidade justamente nas funções mais afetadas pela tecnologia.
Outro levantamento, divulgado pela PwC em 2026, reforça essa tendência em escala global. Vagas que exigem competências específicas de IA, como machine learning e engenharia de prompt, cresceram 69% em um ano, contra 9% do mercado de trabalho como um todo.
Para o profissional, aprender IA não significa necessariamente migrar para uma carreira de tecnologia.
Em muitas funções, o diferencial está em saber aplicar a ferramenta ao próprio trabalho. Um analista financeiro pode utilizar IA para organizar informações e elaborar cenários. Um profissional de marketing pode empregá-la em análise de dados e produção de conteúdo. Na indústria, a tecnologia pode apoiar manutenção, planejamento e controle de processos.
O conhecimento técnico da profissão continua sendo necessário para avaliar resultados, identificar erros e tomar decisões.
O primeiro passo é identificar quais tarefas da própria profissão podem ser aprimoradas com IA. Em seguida, vale aprender ferramentas relevantes para aquela área e, principalmente, entender suas limitações.
Também ganham importância competências que não são facilmente substituídas pela automação, como julgamento, criatividade, comunicação e liderança. O relatório global da PwC de 2026 aponta justamente para uma valorização dessas habilidades em funções expostas à IA.
Para quem está buscando emprego, isso pode ser traduzido em ações concretas: atualizar o currículo com habilidades de IA realmente utilizadas, incluir projetos práticos no portfólio e demonstrar, durante entrevistas, como a tecnologia pode melhorar processos da área de atuação.
A tendência observada nos dados não indica que toda vaga passará a exigir conhecimento técnico avançado em IA. O movimento é mais amplo: a capacidade de trabalhar com IA está se tornando uma competência transversal, presente em profissões que antes não tinham relação direta com a tecnologia.