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Linux: empresa disse que IA 'gerou um novo normal' (LightRocket /Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 15h59.
Linus Torvalds, criador e mantenedor do kernel Linux, afirma que o projeto atingiu um novo patamar de tamanho nas atualizações — e atribui a mudança à inteligência artificial (IA).
Torvalds publica semanalmente um resumo do estado do kernel — o núcleo do sistema operacional Linux. Na mensagem da semana passada, ele resumiu a versão em teste da próxima atualização com uma frase só: "Este rc é enorme."
"Rc" é a sigla para release candidate, a versão que passa por testes antes do lançamento oficial. Mesmo pelos padrões do que ele já vinha chamando de "novo normal", classificou esta como a maior em anos — pelo menos em número de unidades de mudança que os desenvolvedores enviam ao projeto.
O tamanho do candidato a lançamento seguiu como ponto de atenção uma semana depois.
"Não posso dizer que estou exatamente animado com o tamanho de tudo isso", escreveu Torvalds na mensagem que anuncia o sétimo candidato ao lançamento do Linux 7.2, no domingo, 9. "Mas é o que é: o novo normal, com muitas correções, boa parte delas resultado de revisão por várias ferramentas de IA."
Torvalds tem relação ambígua com a tecnologia. Já criticou a ideia de que documentação bem-feita seria suficiente para justificar código de baixa qualidade gerado por desenvolvedores que usam IA.
Também reclamou que a lista de discussão de segurança do kernel Linux ficou quase impossível de administrar, por causa da enxurrada de relatórios de bugs gerados por IA — muitos deles duplicados.
Ainda assim, já declarou publicamente que "o Linux não é um daqueles projetos anti-IA", e vem recebendo contribuições geradas por máquina sem grande resistência.
Apesar da preocupação com o volume, Torvalds afirmou que "nada parece particularmente assustador em si — é só que tem muita coisa aqui".
Segundo ele, a maior parte das mudanças é pequena. Destacou apenas três de maior porte: correções em um componente de criptografia usado por servidores de grande porte da IBM, o retorno de uma ferramenta interna que corrige falhas no sistema de arquivos btrfs, um dos formatos usados para organizar dados em disco no Linux, e ajustes num mecanismo de filtro de rede que controla o tráfego de dados.
"Fora alguns pontos como esses, a maior parte é só um monte de pequenos ajustes", escreveu. Segundo ele, essas mudanças menores estão espalhadas por praticamente todo o sistema.
Nenhuma dessas mudanças, segundo ele, justifica atrasar o lançamento do Linux 7.2, esperado para o fim de semana seguinte, "a menos que algo realmente ruim apareça".
A versão 7.2 não vai receber suporte de longo prazo — ou seja, não é a indicada para quem busca estabilidade e atualizações de segurança por anos, como fazem empresas e servidores críticos. Mas deve trazer melhorias na forma como o sistema distribui tarefas entre processador e placa de vídeo, o que tende a deixar o computador mais eficiente ao rodar várias coisas ao mesmo tempo.