O Codex, da OpenAI, permite criar código por meio de comandos de voz — inclusive para usuários sem conhecimento técnico (Getty Images)
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Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 11h24.
Pensar na OpenAI sem que isso leve diretamente ao ChatGPT é difícil, uma vez que ele é o "carro-chefe" da empresa de inteligência artificial e o grande responsável pelo seu sucesso global. No entanto, o chatbot não é o único que rende cifras para a companhia: a OpenAI adicionou mais de US$ 1 bilhão em receita recorrente anual com o negócio de APIs só neste último mês.
É o que comunicou o CEO da OpenAI, Sam Altman, nesta quinta-feira, 22, em uma publicação no X. "As pessoas pensam em nós principalmente como ChatGPT, mas a equipe da API está fazendo um trabalho incrível!", escreveu o executivo.
A API (Interface de Programação de Aplicações, em tradução livre) é um serviço que permite a terceiros usarem os modelos de IA da OpenAI dentro de seus próprios produtos e sistemas. Na prática, a empresa ganha dinheiro ao fornecer a tecnologia por trás dos produtos dos clientes.
Por meio da API, esses terceiros, que podem ser desenvolvedores e empresas, integram os modelos da OpenAI a produtos que vão desde softwares internos até serviços comerciais voltados ao público final. A cobrança se baseia no volume de uso, o que torna o negócio recorrente e escalável.
Há nomes de destaque que utilizam a API da OpenAI como base de seus produtos. A Perplexity, por exemplo, recorre aos modelos da empresa para gerar respostas em seu mecanismo de busca. Já a Harvey, startup jurídica, usa os sistemas da gigante da IA para auxiliar advogados em pesquisas e redação de documentos.
Ao surgir como uma alternativa de receita que faz sucesso, o negócio de API pode ser um "respiro" para a OpenAI. A empresa enfrenta uma grande pressão em relação aos custos da estrutura dos data centers, cada vez maiores conforme o avanço da IA — segundo a Business Insider, os valores estão estimados em cerca de US$ 1,4 trilhão nos próximos anos.
A pressa para ganhar mais dinheiro é tanta que, na última semana, a OpenAI informou que se prepara para testar anúncios no ChatGPT, em uma nova tentativa de monetização. O anúncio pegou o setor de IA de surpresa, uma vez que Altman já havia demonstrado receio com a ideia de combinar publicidade e IA, que chamou de "último recurso".
Agora, o CEO já mudou o tom em relação a essa combinação. Numa entrevista ao podcast da OpenAI, ele disse não ser "totalmente contra" a medida, embora tenha enfatizado que seria necessário olhar para os anúncios com cautela.
Além disso, no início desta semana, a diretora-financeira da OpenAI, Sarah Friar, divulgou num comunicado que a empresa estuda adotar "modelos de licenciamento" para obter parte dos lucros de produtos e estudos bem-sucedidos de clientes.
"Digamos que, na descoberta de medicamentos, se licenciássemos nossa tecnologia, tivéssemos uma descoberta revolucionária. O medicamento decola e nós receberíamos uma porcentagem licenciada de todas as suas vendas", reforçou a CTO em um episódio do "The OpenAI Podcast", publicado na segunda-feira, 19.