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Cohesity: pesquisa mostra que empresas brasileiras não estão preparadas para ataques de IA (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 04h01.
RESUMO | O quinto relatório anual de resiliência cibernética da Cohesity, realizado em julho de 2026, mostra que 99% das organizações usam IA, mas só 39% no mundo e 45% no Brasil têm planos abrangentes de recuperação para ataques a esses sistemas. No Brasil, 51% das empresas não mantêm inventário centralizado das IAs em uso.
A inteligência artificial (IA) já dominou o ambiente corporativo, mas as empresas ainda enfrentam desafios quando a própria tecnologia é atacada ou falha. É o que revela o quinto relatório anual de resiliência cibernética global da Cohesity, empresa de segurança de dados com IA.
Segundo o levantamento, que foi enviado à EXAME, embora 99% das organizações utilizem sistemas de IA, apenas 39% globalmente — e 45% no Brasil — têm planos de recuperação compreensivos que contemplam cenários de ataques direcionados especificamente a sistemas e aplicações de IA.
O estudo, que ouviu 3.200 líderes de TI e segurança em 11 países, mostra que 64% das empresas no Brasil, e 63% no mundo, admitiram ter enfrentado lacunas significativas ou moderadas em como seus planos cobriam modelos, pipelines e ferramentas de IA quando um ataque cibernético material de fato aconteceu nos últimos 12 meses.
'Hack culposo'? Como modelos de IA estão invadindo empresas no improvisoOs dados expõem um problema estrutural: 51% das empresas do Brasil sequer possuem um inventário centralizado das IAs em uso dentro da própria organização.
Além disso, 46% das empresas brasileiras (59% globalmente) não têm plena confiança de que conseguem verificar a integridade de modelos de IA depois de um ataque — ou seja, mesmo detectando uma invasão, boa parte das empresas não sabe dizer com segurança se o modelo continua confiável.
O relatório também mostra que mais da metade das empresas, tanto globais (56%) quanto brasileiras (51%), não se consideram bem preparadas para conter ações incorretas ou não intencionais tomadas por agentes de IA ou copilotos — um risco que cresce à medida que esses sistemas ganham mais autonomia dentro das operações corporativas.
Diante desse cenário, 97% dos líderes globais admitem que precisarão alterar seus planos de resposta para lidar com a nova ameaça de IA avançada (frontier AI). No Brasil, o número sobe para 99%.
"Os dados apontam para um problema que não pode ser adiado. É algo que precisa ser enfrentado agora", diz Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina. "As empresas precisam ampliar os planos de resiliência para abranger sistemas, modelos e agentes de IA, e não apenas a infraestrutura tradicional, além de testar sua recuperação em condições realistas, não apenas na teoria."
O relatório recomenda a priorização do mapeamento de dependências, especialmente na gestão de identidades e acessos, e a avaliação das capacidades de resiliência usando uma estrutura organizada — a própria Cohesity sugere seu modelo de "5 Passos para a Ciber-resiliência" como referência.
Segundo a Cohesity, os dados do estudo ganham relevância diante do incidente de julho de 2026 envolvendo a Hugging Face e a OpenAI, no qual um agente de IA comprometeu outra organização e expôs a diferença de comportamento entre atacantes autônomos e suas contrapartes humanas. "O perigo não é somente que a IA consiga realizar invasões mais rápido do que um humano, mas que ela pode continuar invadindo, em toda parte, de forma simultânea", afirma Leite.
Segundo ele, o caso é um alerta sobre ciberresiliência. "A prevenção continua sendo importante, mas já não é suficiente. Os conselhos de segurança precisam saber se a organização consegue manter suas operações quando uma violação se desenrola mais rápido do que a capacidade de resposta humana", diz.
A quinta edição anual do relatório global de ciberresiliência da Cohesity foi realizada em julho de 2026 pela empresa de pesquisa independente Vanson Bourne, a pedido da Cohesity. O estudo ouviu 3.200 líderes de TI e segurança no Brasil, Austrália, França, Alemanha, Índia, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos. Para os fins da pesquisa, o impacto material foi definido como aquele que gera impacto mensurável, de natureza financeira, reputacional, operacional e/ou relacionado à perda de clientes, na organização.
Segundo o relatório da Cohesity, apenas 39% das organizações globalmente e 45% no Brasil têm planos abrangentes de recuperação que contemplam ataques direcionados a sistemas e aplicações de IA.
De acordo com a Cohesity, 64% das empresas brasileiras e 63% das organizações no mundo identificaram lacunas significativas ou moderadas na cobertura de modelos, pipelines e ferramentas de IA após um ataque cibernético material nos últimos 12 meses.
Nem todas: segundo o levantamento da Cohesity, 46% das empresas brasileiras não têm plena confiança de que conseguem verificar a integridade dos modelos de IA depois de um ataque. Além disso, 51% não possuem um inventário centralizado das IAs utilizadas na organização.
Mais da metade não está bem preparada, segundo a Cohesity: essa é a avaliação de 51% das empresas brasileiras e 56% das organizações globalmente em relação a ações incorretas ou não intencionais de agentes de IA e copilotos.
Sim. De acordo com o relatório da Cohesity, 99% dos líderes brasileiros e 97% dos líderes globais reconhecem que precisarão alterar seus planos de resposta para enfrentar ameaças relacionadas à IA avançada.
A pesquisa foi realizada em julho de 2026 pela Vanson Bourne, a pedido da Cohesity, com 3.200 líderes de TI e segurança de 11 países. O estudo considerou material o ataque com impacto mensurável de natureza financeira, reputacional, operacional ou relacionado à perda de clientes.