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Dados mostram efeitos desiguais da IA sobre o mercado de trabalho (Imagem gerada por IA/Exame)
Redatora
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 05h02.
A inteligência artificial já está eliminando empregos em escala suficiente para provocar uma transformação ampla no mercado?
Em agosto, o mercado de trabalho dos EUA terminou com 162 mil novos empregos e taxa de desemprego de 4,1%, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS).
O resultado veio acima da média mensal dos 12 meses anteriores, de 31 mil vagas.
Ao mesmo tempo, alguns setores perderam postos, e pesquisas recentes encontram sinais de maior dificuldade para trabalhadores em ocupações mais expostas à inteligência artificial.
Os números ajudam a colocar em perspectiva uma das maiores dúvidas provocadas pela popularização da IA.
Os dados de agosto não apontam para um colapso generalizado. Alimentação e bebidas adicionaram 59 mil vagas, enquanto a educação do governo local ganhou 42 mil.
A indústria manufatureira acrescentou 16 mil postos e o setor de saúde também continuou crescendo, embora em ritmo menor que sua média recente.
Há, portanto, uma diferença importante entre observar mudanças em setores que utilizam tecnologia intensivamente e concluir que elas foram causadas pela inteligência artificial.
Um levantamento da Revelio Labs publicado em setembro encontrou outro sinal relevante. Segundo o estudo, 87% das mudanças no conteúdo do trabalho acontecem dentro das próprias ocupações, em vez de ocorrerem por uma simples substituição de uma profissão por outra.
Isso muda a discussão para uma dimensão mais próxima da rotina profissional. Uma pessoa pode continuar ocupando o mesmo cargo enquanto parte das atividades que executava passa a ser automatizada, acelerada ou reorganizada com ferramentas de IA.
Um estudo do Stanford Digital Economy Lab, baseado em dados de milhões de trabalhadores americanos até junho de 2026, não encontrou evidência de uma eliminação generalizada de empregos em toda a economia.
Por outro lado, identificou uma diferença entre trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações expostas à IA e seus pares em funções menos expostas: o emprego desse grupo estava 19% abaixo do nível que teria atingido se tivesse acompanhado o crescimento observado entre os menos expostos.
Ao mesmo tempo, a demanda por competências relacionadas à tecnologia continua aparecendo nos anúncios de emprego.
O Indeed registrou que as vagas relacionadas à IA chegaram a representar 6,3% dos anúncios em agosto, acima do pico anterior de 3,3%, registrado em 2022.
A mudança também aparece entre os próprios trabalhadores: a Revelio Labs calcula que 7,6% das posições ocupadas nos Estados Unidos, em julho de 2026, estavam nas mãos de profissionais que declaravam pelo menos uma habilidade relacionada à IA em seus perfis.
Para profissionais, a transformação pode estar acontecendo antes mesmo de uma eventual substituição de cargos.
Aprender a trabalhar com a tecnologia, entender quais tarefas ela consegue executar e reconhecer onde a experiência humana continua sendo necessária se tornam partes cada vez mais concretas da adaptação ao mercado.